fechos olhos e ao pensar em você, me vem a mente a sensação dos meus lábios percorrendo todos os caminhos da tua pele. da textura até o arrepio, do aperto das minhas mãos na tua coxa, até o suspiro sôfrego em que soltará ao me sentir te tocar assim. fechos os olhos e o preto e branco da tua foto me inebria a mente, como o mais poderoso dos perfumes, como um poder em forma de pensamento. e tudo o que eu consigo pensar é em você: nos fios dos cachos se enrolando em minha mão, do gemido que deixará escapar quando os fios eu puxar, na ponta da minha língua subindo pelo teu pescoço quando te trouxer para mais perto de mim, nos nossos corpos se enroscando um no outro, na forma como sei que dirá o meu nome, na tua voz em meu ouvido que sou completamente derretida e obcecada. fecho os olhos e mordo os lábios sorrindo em deleite porque é o que você me traz. por ser a delícia que és já que tudo em você me é delicioso. às vezes tenho que me beliscar uma ou duas vezes para ter certeza de que você é real e mesmo quando vivenciar cada um desses acontecimentos, realizar cada uma de nossas fantasias e ter enfim você em minha boca, desvendando todo o teu corpo, acho que não serei capaz de acreditar que não és fruto de minha mente. espero sensação assim, em ti também causar.
quero que em um momento, logo depois de me beijar ou me sentir em sua pele, feche os olhos e pense que não posso ser real, que o que te cusarei não pode ser real porque mulher, espero tirar teu sono, te revirar do avesso, tua cabeça enlouquecer, fazê-la girar e girar e girar, te desnortear com todo o meu desejo por ti. quero que meu corpo crie um idioma só dele e que só você seja capaz de decifrar porque baby, eu quero decifrar tudo o que cada curva desse teu corpo me tem a dizer. e eu espero que ele me diga muito, por dias e horas e que ele nunca se cale porque se depender de mim, sua voz ainda gritará meu nome para a vizinhança inteira ouvir, o quanto quero te fazer minha.
domingo, 19 de outubro de 2025
o que toma a minha mente...
verdades que enfim contei a mim...
a verdade nua e crua, aquela em que nunca quis admitir para ninguém, nem para mim mesma, mas que talvez esteja mais do que estampada em minha face, é que eu sou alguém muito só. e eu sempre fui.
eu nunca tive muito com quem brincar na infância ou quem me levasse ao parque aos domingos, muito menos quem me ajudasse enfeitar as luzes de natal a noite. acho que nunca fiz o coração de ninguém bater mais forte, pelo menos não por tempo o suficiente para que fizesse alguém ficar, nem sou a primeira que alguém pensa quando quer colocar a cabeça no ombro de alguém e despejar seus anjos e demônios. e eu não sei muito bem o por quê. eu sempre dei tudo de mim para ter essas coisas em que tanto a gente vê na tv mas que sempre me pareceram inalcançaveis demais para mim até que elas se provassem realmente inalcançáveis. talvez haja algo de errado, algo quebrado em mim. ou talvez, eu apenas tenha escapado de algum livro de conto de fadas e a vida real não dê muito certo para mim assim. seja qual for a razão, ano após ano, tenho entendido que não fui feita para funcionar como os demais, desde pequena, então cada vez mais, o que me resta é tentar me acostumar que a única companhia que sempre irei ter sou eu mesma. nos natais, aniversários e quando os dias pesam, como hoje. e no fim, talvez não haja mesmo companhia melhor do que essa.
mas se eu pudesse escolher, gostaria de ter quantas companhias meu abraço conseguisse ter.
talvez eu escreva um conto de fadas em que isso finalmente aconteça e assim, em alguma realidade alternativa, em algum lugar do universo, eu não fique assim sempre tão só.
segunda-feira, 6 de outubro de 2025
o erro que sou.
eu tive muito medo quando deveria me jogar
eu fiquei parada quando deveria correr
eu acreditei muito quando deveria duvidar
eu esperei muito quando o certo era não esperar nada
eu quis muito vencer e tudo o que eu fiz foi perder
eu fui muito empática e sempre sou prejudicada
eu confiei muito quando o certo era somente seguir e não ligar
pois há muito já não há quem ligue para mim
e eu termino sempre só
catando os pedaços
que são sempre despedaçados de mim
tentando um dia quem sabe,
juntar o leite derramado,
e ser quem eu sempre deveria ser.
até lá, sigo em curto circuito
fruto desse fio não ajustado em meu ser
pois há de ter algum erro aqui dentro
para eu ser tão assim
e quebrar sempre a cara
seja pelos outros
ou por mim.
hoje, foi pelos dois.
amanhã, quem sabe?