sexta-feira, 3 de abril de 2026

1h06 de uma madrugada que aperta o peito.

o meu coração às vezes é brutal.


e eu sinto demais, o tempo todo. 

poderia eu não sentir esse tanto, que vezenquando me deixa em prantos?

por vezes nunca mais querer sentir, por vezes, querer sentir tanto até explodir.

há o preço muito caro a ser pago de ser quem se é

e por vezes, caímos só

estatelados em nossa realidade solitária

e sentimos tanto, que é brutal.

e como tudo que é brutal, rasga.

as entranhas, as esperanças, o peito.

o meu pulsa em carne viva uma cicatriz

que nunca sara.

o seu também?

sábado, 7 de março de 2026

tem dias e dias...

tem dias em que a gente acorda e são piores dos que os outros.
tem dias em que a gente acorda e tudo o que a gente quer fazer é e esconder um pouquinho.
tem dias em que a gente acorda e o peso no peito aperta um pouco mais.
tem dias em que a gente acorda e é na retina que a gente desagua o peso dos dias, das horas, dos minutos.
tem dias em que a gente acorda e sente que não vai aguentar nem mais um segundo.
sem desandar, desaguar, desmanchar.
tem dias que tudo o que você quer é fugir.
daqui, de lá, de todo lugar porque sente que não há lugar onde o coração se sinta mais leve.
sem doer, apertar, se transformar em caquinhos que a gente nem sabe se terão como juntar,
e é nesses dias, onde justamente precisamos
 ser mais fortes.
acontece que 
somos fortes o tempo inteiro 
e não é na fila do pão, no trabalho ou açougueiro
muito menos na roda de amigos, no futebol de domingo,
que irão perceber isso,
 que tudo em você desanda,
que por dentro você desaba mas respira fundo, veste o seu melhor sorriso - falso - e vai seguir,
sem pretensão alguma para onde esse dia vai te levar.
mas você vai, torcendo para que acabe logo e que finalmente em casa você possa ser você.
acontece meus caros, que tem dias também que você não quer fingir,
não quer vestir a máscara de está-tudo-bem, sou imbatível.
e hoje, é um desses dias.
mas é preciso vesti-la, não é mesmo?
não deixem que saibam que por dentro, você só quer um colo, deitar a cabeça e chorar um pouquinho para ficar mais leve.
e amanhã sim, amanhã você pode ser forte.

me falta o colo mas deixo para amanhã a fortitude.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

achados e perdidos do bloco de notas.

quanto tempo levou para você esquecer o tom da minha voz?
do meu cheiro nos lençóis pela manhã?
da sensação que a palma da minha mão te trazia quando tocava a tua pele?

quanto tempo você levou para deixar de ter o formigamento em tua boca que o som do meu nome te causava?
quanto tempo levou para você esquecer meu número, o dia do meu aniversário, a forma que eu te olhava?
você ainda lembra o gosto que carrega meus lábios?

ou será que foi eu, que demorei tempo demais te carregando?
não só em minha alma,
como também em meus ombros, pensamento, coração?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

um minuto de realização.

hoje me deu um aperto no peito, essa vontade enorme de chorar ao pensar no momento que eu não quero ver chegar.
teus cabelos andam cada vez mais grisalhos, seus ossos
 cada vez mais frágeis, seus olhos cada vez mais fundos, suas dores cada vez mais recorrentes e eu, que não sei lidar, fecho os olhos para não ver e ter que sentir essa verdade incontestável como mil arames farpados, dilacerando meu peito.
é um grito aqui, um desentendimento ali, mas me entristece a alma pensar em ficar sem a tua companhia, que é a única que sempre tive. me paralisa, me parte em mil pedaços, que sem você jamais serão juntados. eu fecho os olhos e finjo não ver os dias passarem, as dificuldades aumentarem, teu passo ficar mais lento, porque se eu tiver esse conhecimento, uma parte enorme em mim se parte também e não teria maiconserto. uma parte tão profunda, sentimental e intensa que eu sei, que eu nunca mais serei a mesma novamente. sem você, não tem como ser. 
eu tenho medo mãe, queria ser tão brava e corajosa quanto você, mas eu não sou. por enquanto eu finjo, tão bem que você acredita e eu também.
não sei o que fazer e acho que nunca vou saber, imagina sem você. que esse dia nunca chegue porque eu não estou e nem nunca estarei pronta para ver o ciclo natural acontecer, não tenho como estar.

domingo, 21 de dezembro de 2025

desejo de você.

 penso todo dia no seu gosto, almejo a sensação do meu toque em tua pele como quem almeja tocar a pele divina de afrodite, e eu acho que nem no vocabulário dos deuses, eu seria capaz de encontrar palavras para descrever essa vontade que sinto pulsar no fundo de mim até a borda do meu ser, essa vontade desenfreada, quase insana de sentir seu gosto em meus lábios, o arrepiar de sua pele em minhas mãos, suspirar em alívio pelo encaixe de nossos corpos. me diga que você também sente isso, que através dos quilômetros sente sua pele se arrepiar somente pela menção do meu toque em você, diga que sente o frenesi de me desejar tanto ao ponto de derreter a milhas de distância, porque eu garota, me sinto arder e queimar e virar uma poça de desejo por ti em um afeto quase que inexplicável, eu me sinto derramar, quase virar papel, onde você pode escrever as poesias mais belas, os cálculos mais elaborados, os desejos mais ardentes e tudo mais o que você quiser. eu te desejo, o tempo todo, a todo tempo, até mesmo agora, sentindo o vento fresco no meu rosto, tomando meu frisante e pensando na delícia que seria ter tua pele em meus lábios misturados ao gosto de pêssego. tenho certeza que a fusão virará meu novo sabor preferido. 

eu não sei o dia de amanhã, tão pouco até onde essa intensidade toda vai nos levar mas eu espero, eu torço mesmo, para que seja até teu corpo e dele meu bem, eu não vou querer mais sair. 

esteja preparada, porque quero me cravar em ti, o tanto que você já está cravada em mim. imagina quando nossos lábios e corpos se encontrarem então…

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

a big mistake.

eu queria parar de me sentir como quem nem deveria estar aqui, como um erro na trajetória do destino, como algo que veio quebrado e sem conserto, como quem veio com curto circuito. eu queria não me sentir assim sempre tão péssima quando sei de todas as qualidades que me cercam, então me pergunto o por que de ficar assim sempre tão estática, vendo o mundo girar, as pessoas passarem, a vida acontecer e apenas eu ficar aqui, como uma estátua sempre no mesmo lugar.

o que há de errado comigo? ou será que o mundo está tão fora de lugar que perdi minha gravidade e agora vivo flutuando em uma órbita onde nada acontece, onde não começo nem termino? nah, há de haver algum fio solto aqui dentro, algo que não funciona bem, é a única coisa que vejo que consiga explicar.

quantas noites eu já chorei no escuro do meu quarto por algo que não merecia que minhas lágrimas caíssem, agora choro por mim, que sem ninguém, deveria me acolher e ao invés disso, tanto me maltratei. agora não sei para onde ir, não sei o que fazer e eu já nem com vontade consigo sorrir. então continuo parada aqui, esperando que um raio acerte esse fio desajustado que sou, esse ponto fora de órbita no universo, esperando que um dia, eu possa funcionar direito.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

sobre surpresas nem tão surpresas assim...

sinto queimar minhas entranhas em um gosto amargo de quem pula sem paraquedas de um precipício. é que eu tenho essa mania de acreditar, de ser descente demais, de esperar que tenham a decência que o ser humano deveria ter.
sinto queimar minhas entranhas em um desgosto tão palpável que quase me sinto intragável. ou desço tão fácil pela garganta que nem saboreiam o meu gosto. algo de errado há de ter, em mim ou em vocês e como shakespeare não sou, a certeza de ser ou não ser, não terei a resposta de tal questão. por isso decidi seguir e tentar. e tentar. e tentar.

o problema é que chega uma hora que tentar acreditar cansa.
e eu já estou cansada demais.

que faço eu então agora?
vez em quando, de minha pele só quero ir embora.
talvez eu saia tentando me acostumar mundo afora
em como as coisas são como são.
ou não.

passarei a só seguir, esperando o que há de vir.
surpresas me apavoram e excitam agora.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

beije.

beije a minha boca como quem guarda o segredo do universo nela. beije a minha boca como quem tira todo o teu ar e te faz delirar. em mil loucuras, em ternuras, em todo um vulcão de desejo que entra em erupção quando estamos juntas. beije a minha boca como quem faz amor, sexo, foda por telepatia. beije a minha boca até que todos os pelos, partículas, átomos e moléculas do teu corpo se arrepiem e sussurrem o meu nome as estrelas, pedindo ao universo por um pouco mais de mim. beije a minha boca e sinta minhas mãos tateando o teu corpo, tua pele, em um toque apertado, te clamando como delas, te possuindo, te tomando para mim. beije a minha boca como se não houvesse o amanhã, como se nem quisesse saber mais da sua vida antes de sentir o toque dos meus lábios nos teus. beije a minha boca e prove no gosto dela, o gosto que o prazer tem, que eu te prometo amor, que eu nunca mais paro de te beijar enquanto você quiser.

e espero que você nunca mais pare de querer me beijar.