não consigo dormir, faz tempo que não paro para pensar como era me sentir com o peito cheio de esperança, recheado de amor, aquela coisa que parece que vai te consumindo aos poucos até que pareça que não haja mais nada dentro de mim além do sentir e ao mesmo tempo parece que você está tão lotado que vai explodir em mil pedaços de sentimento por aí, queria me sentir assim de novo…
não sei bem com que pretenção escrevo agora essas palavras emaranhadas em sua própria confusão mas acho importante falarmos sobre nossas confusões às vezes. e sobre as nossas vontades. e saúdes também. e como eu sinto saudades de sentir… mas então eu me pego pensando: será que alguém dia eu fui de fato o ser por quem alguém já dedicou amor? às vezes parece que o tal-do-amor de fato não nasceu para mim, mas que eu sim nasci para ele. talvez seja algum curto circuito que fez acontecer algo de errado em meu peito, que sente demais, até quando às vezes, não deveria sentir. carrego esse peso que quase sempre traz a solidão comigo e tudo bem, a solitude vezenquando me é uma boa amiga: eu boto um jazz ecoando nos altos falantes e depois um blues para acompanhar, rodopio pela cozinha fazendo o jantar, bebo um gole de cerveja, quem sabe um frisante para esquentar? cantarolo enquanto como, leio histórias tão bobas ou tão incríveis que me fazem viajar para um mundo fora daqui, converso comigo mesma, eu escrevo um novo texto, eu danço mesmo que sem par e por mim quase sempre tá tudo bem. mas tem vezes, em dias como hoje, que a gente quer apenas sentir algo mais por alguém além de nós mesmos e nos perguntamos quando é que alguém por nós, tambem vai sentir, se é que um dia ele de fato chegará.
até lá, torço para que rodopiar na cozinha fazendo o jantar, possam me salvar…