sábado, 7 de março de 2026

tem dias e dias...

tem dias em que a gente acorda e são piores dos que os outros.
tem dias em que a gente acorda e tudo o que a gente quer fazer é e esconder um pouquinho.
tem dias em que a gente acorda e o peso no peito aperta um pouco mais.
tem dias em que a gente acorda e é na retina que a gente desagua o peso dos dias, das horas, dos minutos.
tem dias em que a gente acorda e sente que não vai aguentar nem mais um segundo.
sem desandar, desaguar, desmanchar.
tem dias que tudo o que você quer é fugir.
daqui, de lá, de todo lugar porque sente que não há lugar onde o coração se sinta mais leve.
sem doer, apertar, se transformar em caquinhos que a gente nem sabe se terão como juntar,
e é nesses dias, onde justamente precisamos
 ser mais fortes.
acontece que 
somos fortes o tempo inteiro 
e não é na fila do pão, no trabalho ou açougueiro
muito menos na roda de amigos, no futebol de domingo,
que irão perceber isso,
 que tudo em você desanda,
que por dentro você desaba mas respira fundo, veste o seu melhor sorriso - falso - e vai seguir,
sem pretensão alguma para onde esse dia vai te levar.
mas você vai, torcendo para que acabe logo e que finalmente em casa você possa ser você.
acontece meus caros, que tem dias também que você não quer fingir,
não quer vestir a máscara de está-tudo-bem, sou imbatível.
e hoje, é um desses dias.
mas é preciso vesti-la, não é mesmo?
não deixem que saibam que por dentro, você só quer um colo, deitar a cabeça e chorar um pouquinho para ficar mais leve.
e amanhã sim, amanhã você pode ser forte.

me falta o colo mas deixo para amanhã a fortitude.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

achados e perdidos do bloco de notas.

quanto tempo levou para você esquecer o tom da minha voz?
do meu cheiro nos lençóis pela manhã?
da sensação que a palma da minha mão te trazia quando tocava a tua pele?

quanto tempo você levou para deixar de ter o formigamento em tua boca que o som do meu nome te causava?
quanto tempo levou para você esquecer meu número, o dia do meu aniversário, a forma que eu te olhava?
você ainda lembra o gosto que carrega meus lábios?

ou será que foi eu, que demorei tempo demais te carregando?
não só em minha alma,
como também em meus ombros, pensamento, coração?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

um minuto de realização.

hoje me deu um aperto no peito, essa vontade enorme de chorar ao pensar no momento que eu não quero ver chegar.
teus cabelos andam cada vez mais grisalhos, seus ossos
 cada vez mais frágeis, seus olhos cada vez mais fundos, suas dores cada vez mais recorrentes e eu, que não sei lidar, fecho os olhos para não ver e ter que sentir essa verdade incontestável como mil arames farpados, dilacerando meu peito.
é um grito aqui, um desentendimento ali, mas me entristece a alma pensar em ficar sem a tua companhia, que é a única que sempre tive. me paralisa, me parte em mil pedaços, que sem você jamais serão juntados. eu fecho os olhos e finjo não ver os dias passarem, as dificuldades aumentarem, teu passo ficar mais lento, porque se eu tiver esse conhecimento, uma parte enorme em mim se parte também e não teria maiconserto. uma parte tão profunda, sentimental e intensa que eu sei, que eu nunca mais serei a mesma novamente. sem você, não tem como ser. 
eu tenho medo mãe, queria ser tão brava e corajosa quanto você, mas eu não sou. por enquanto eu finjo, tão bem que você acredita e eu também.
não sei o que fazer e acho que nunca vou saber, imagina sem você. que esse dia nunca chegue porque eu não estou e nem nunca estarei pronta para ver o ciclo natural acontecer, não tenho como estar.