sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

um minuto de realização.

hoje me deu um aperto no peito, essa vontade enorme de chorar ao pensar no momento que eu não quero ver chegar.
teus cabelos andam cada vez mais grisalhos, seus ossos
 cada vez mais frágeis, seus olhos cada vez mais fundos, suas dores cada vez mais recorrentes e eu, que não sei lidar, fecho os olhos para não ver e ter que sentir essa verdade incontestável como mil arames farpados, dilacerando meu peito.
é um grito aqui, um desentendimento ali, mas me entristece a alma pensar em ficar sem a tua companhia, que é a única que sempre tive. me paralisa, me parte em mil pedaços, que sem você jamais serão juntados. eu fecho os olhos e finjo não ver os dias passarem, as dificuldades aumentarem, teu passo ficar mais lento, porque se eu tiver esse conhecimento, uma parte enorme em mim se parte também e não teria maiconserto. uma parte tão profunda, sentimental e intensa que eu sei, que eu nunca mais serei a mesma novamente. sem você, não tem como ser. 
eu tenho medo mãe, queria ser tão brava e corajosa quanto você, mas eu não sou. por enquanto eu finjo, tão bem que você acredita e eu também.
não sei o que fazer e acho que nunca vou saber, imagina sem você. que esse dia nunca chegue porque eu não estou e nem nunca estarei pronta para ver o ciclo natural acontecer, não tenho como estar.