quarta-feira, 6 de maio de 2015

Adeus você. E adeus eu.

Não.

Não tenta me enganar, me fazer de otária. Não tenta me passar para trás pois eu já tenho alguém que faça isso por mim: eu mesma. Não tenta dizer sim se queres dizer não sei ou apenas não. Talvez depois, amanhã, mais tarde. Ou nunca. Mas hoje não. Eu sei. E você também sabe. Não tenta fingir. Não deu. Acontece. Só não brinca comigo, não tenta me transformar em mais um dos teus bibelôs pois eu já não posso mais brincar assim. Não aguento mais. Eu sei, talvez não seja por querer mas é assim que você faz. E eu entrei nesse teu jogo e eu não sei mais como sair. Me perdi em meio ao redemoinho que és e no fundo eu sei baby, não da pra sair. Nem tão cedo. Fico no fundo, imersa, suportando tudo o que tenho para suportar. Dói, deixa marcas profundas, mas uma hora passa. Tudo passa amor e quando você passar por mim de novo, eu já nem vou mais saber... De você.

Serei outro alguém e você não vai conhecer. Nem ninguém.

sábado, 2 de maio de 2015

Iniciando desapego.

Deu nó. Nó cego, nó que enxerga, nó forte, nó brabo dentro da minha cabeça. Deu curto circuito nos fios embaralhados e enlameados do meu peito. Complicou.
Disco os números da minha razão mas há tempos que ela está na caixa eletrônica, e eu estou tentando saber exatamente o que eu preciso, até parece canção de banda indie meu amigo, mas não é, eu sei. Desapegue-se é o que um eco mais profundo que algum tipo submundo me diz. Um eco que sopra assim sorrateiro feito vento noturno que sopra, sopra, em seu assobio mil e uma histórias de terror para arrepiar braços e nucas. Mas ainda me falta prática no fazer e não se deve planejar sem investir no seguro.
Eu quase sempre perco o fio da meada e quando me acho, já me perdi em algo de novo. Dizem que quem vive pra se perder alguma hora só consegue se achar. Ou seria o contrário? Ainda estou tentando saber.
Parei de pensar. Parei de sentir. Comecei a fazer o que eu sempre bem quis. Não há por que ligar pra quem nunca quis te atender.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Sobre tudo o que eu consigo pensar (e viver) no momento.

Eu tentei.
Eu juro que tentei.
Dei outros beijos
Provei novos gostos
E até gostei de outro alguém
Mas foi tudo a curto prazo.
Nada me cativa tanto assim
E quando cativa não dá certo.
E o peso do mundo nunca saiu de meus ombros.
Antes de você as coisas já não tinham muito sentido
E depois de você tudo ficou escuro.
Escuro e só.
Parece que tudo que faço
É uma volta até isso:
Breu e solidão.
Acho que não sei mais confiar
Nem acreditar, esperar ou amar.
De tanto sentir tanto
Acho que acabei parando
O mundo contribuíu para isso.
Virei robô
E deu curto circuito em mim
Piloto automático ligado
Pois talvez não haja mais jeito
Para alguém tão desacreditado assim.

terça-feira, 14 de abril de 2015

M.

Deita entre meu ombro e meu peito daquele jeito que cê disse tanto gostar, e joga as suas pernas em cima das minhas. Fecha os olhos e escuta Arctic Monkeys comigo. Diz que baita banda ela é e que quer continuar ouvindo. Me pede um cafuné. Depois conhece mais da minha banda favorita, procura assistir os episódios da minha série predileta, leia os livros que eu gostei tanto de ler, adentra mais um pouco o meu mundo e abre um pouco mais do seu para mim. Vamos ver se nos encaixamos, combinamos, nos gostamos e vamos ver se vamos ter algo tão melhor do que amor ou amizade, afeto ou familiaridade, algo que ainda não tenha nome ou classe. Uma parada bem mais legal... Mas só amanhã. Hoje deita aqui perto de mim, fazendo círculos com a ponta do dedo na minha barriga e depois me abraça como der. Afunda teu rosto no meu pescoço e se embriaga do teu próprio cheiro que ficou em mim. Esquece o celular, o pai, a mãe, a saída do final de semana, os amigos, a esperança. Não pensa em nada que não seja aquele momento ali. Limpa a tua alma de qualquer coisa que não seja a beleza do escuro do teu quarto e do conforto da tua cama junto a mim. Não faz nada, só fica comigo assim, como aquele primero dia em que te vi. Sejamos infinito antes de sermos fim.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Sobre a morte da esperança.

É sempre um abismo seguir por um precipício chamado esperança. A esperança te faz caminhar por desertos cheios de dunas perigosas, navegar por oceanos repletos de tempestades e tubarões, correr em meio a um furacão. Tudo com uma pequena chama dentro de você de que você nunca vai se ferir, ou que pelo menos no fim não será nada grave. Que a kriptonita do seu Super Homem ou Mulher Maravilha está bem longe, mas no fim você sempre cai. Pois se tem uma coisa certa na esperança, essa coisa é a queda. E ao invés de ser rápida e quase indolor, ela é lenta. Ela te faz flutuar em meio a devaneios, em volta da loucura, dentro dos seus piores receios, para no fim, você cair morto. Morto, estatelado, duro e frio no chão. A esperança nunca mudou as coisas porque ela é só uma desculpa pra fingir que nada é tão ruim assim. Mas quase sempre é. A esperança não salva ninguém pois ela é sempre a última a levar o pé na bunda para que o pé que ela nos dê seja fatal.
Que a esperança então, seja artigo em falta no meu peito já que ela nunca mudou ou adiantou nada.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Perdendo e encontrando isqueiros.

Eu vivo perdendo isqueiros assim como vivo perdendo oportunidades. Eu vivo perdendo coisas. Na verdade não sei se algum dia as tive de fato, mas o fato é que eu vivo perdendo coisas. Por mim, pelas pessoas, pela vida. Eu não aguento mais esse jogo de perder.

Tento ler um livro ou ver tv mas a necessidade me invade feito o ar que entra em meus pulmões e então eu preciso intoxicá-los com fumaça de tabaco. Sentir aquele êxtase amargo (que no fundo me faz mal, eu sei) tranqüilizando minhas veias. Me levanto abruptamente e coloco um jeans surrado, um casaco preto qualquer, pego as chaves e coloco meus cigarros no bolso do jeans. Vou atrás de outro isqueiro.
Choveu mais cedo e o céu se mistura em cinza e preto. Está anoitecendo e o vento frio corta minha pele através do casaco fino. Desço a esquina olhando ao redor pensando em como fui parar ali, como eu tinha me tornado aquilo em que me tornei: um fracasso, se. Eu tentei fazer tudo certo. Mas o que é o certo é o errado? Não sabia exatamente a resposta mas me lamentava de todas as formas: profissional, familiar e amorosamente. Não queria, mas as vezes acho que sou quase digna de pena.

Todos os bares  ao redor estão fechados e eu tenho que andar até o próximo quarteirão. Anoiteceu.

Acho que faz tempo que anoiteceu em mim também, não sei. Talvez eu seja um céu todo preto que, vezenquando, consegue obter algumas estrelas para iluminá-lo. Só não sei mais se consigo obtê-las novamente
Avisto ao longe uma banca de jornal quase fechando e compro meu bendito isqueiro. Caminho uns passos e já posso sentir as gotas da tempestade que está vindo aí de novo começarem a cair. Acendo meu cigarro e logo na primeira tragada é como se todos os ligamentos do meu corpo estivessem se acalmando numa paz explodida em milhões de pequenos pedaços de fogo. Começa a chover e ao invés de ir para casa, me pego perambulando pelo bairro. Avisto as casas trancadas, os estabelecimentos fechando, as ruas vazias, e penso que aquilo tudo se parece muito comigo: cheias de pessoas que nem ligam muito para elas durante o dia e completamente solitárias durante a noite (com a exceção de que eu acabo só até durante o dia). O temporal despenca e eu corro atrás de algo que possa me proteger, e percebo o quão inútil isso é, afinal, quem está na chuva é para se molhar. Não é o que dizem por aí?

Sento em uma escada na porta de um lugar qualquer e fico ali, fumando aquele único cigarro enquanto sinto o maço inteiro se desmanchar no meu bolso. Tirei o capuz da cabeça e fiquei ali pensando, até que por fim, chorei a dor que por muito tempo estava contida em mim. Deixei a água descer pelo meu rosto e logo pelo meu corpo misturando-se com minhas lágrimas, me encharcando por inteira.

Pensei na grande bosta que está minha vida e no quanto preciso mudar isso. E fiquei ali, não sei por quanto tempo, mas tempo suficiente para a chuva passar. Levantei decidida a me reinventar por completo. As coisas deveriam e tinham de mudar.
Eu vivo perdendo coisas, mas às vezes, a vida te faz achar coisas também e a certeza disso, é o isqueiro velho que achei no bolso do casaco preto no momento em que enfiei as minhas mãos lá. Ás vezes demora tempo demais para a gente entender as coisas em apenas um segundo, e eu entendi que eu preciso mudar pra viver em paz.

 Acendi meu novo isqueiro. Minha nova certeza.

terça-feira, 31 de março de 2015

365 dias.

Um ano. Trezentos e sessenta e cinco dias que não foram ao seu lado. Tormento. Trezentos e sessenta e cinco dias descobrindo que o inferno na vida é uma vida sem amor, sem o nosso amor. Dizem que nós somos melhores quando estamos com a pessoa certa. E eu era melhor quando estava com você - queria que tivesse sido recíproco. Às vezes tenho a sensação de que fui apenas mais um mero engano, um equívoco seu... Noutras acho que fui a coisa certa que apareceu no tempo errado. Será que um dia iremos saber? Não sei.
Um ano. Trezentos e sessenta e cinco dias fazendo planos que nunca iriam se concretizar, imaginando viver coisas ao lado de quem mais me fez feliz. Loucura. Mas eu sei que você sempre foi bagunça e bagunça da boa baby, e do momento que eu te encontrei naquela tela de computador eu soube: você não iria sair da minha vida. E hoje, um anos depois eu só queria bater na tua porta e ser dessa vez a menina com a flor na mão (para te dar, claro) e te fazer abrir seu coração pelo menos uma vez pra me ouvir e acreditar em tudo o que eu disser, pois eu nunca fui tão real em minha vida...

Eu te amei desde a primeira vez que te vi sabia? Desde quando te vi de cima do skate atrás daquele muro e pensei "ai meu Deus como ela é linda!" desde do teu short marrom com camisa jeans, desde o meu skate e minha calça vinho com blusa do Arctic Monkeys. Em volta naquela enorme lagoa. Foi ali. Você se lembra? Desde então eu percebi que as coisas que eu via nos filmes podiam sim existir, porque você me fazia sentir assim: pela primeira vez dando certo. Você fazia eu me sentir infinita. E eu fui te amando e te amando e eu não consegui mais parar. Fui te amando tanto que acho que por vezes deixava meu jeito transparecer que nem tanto assim. Nem tanto assim quando era tudo e muito mais dentro de mim por ti. Desculpa se não matei tua insegurança, se não consegui te mostrar que eu sempre só tinha olhos e coração pra você, se eu te fiz fugir, se eu não soube ser melhor. É que quando eu erro é tentando sempre acertar, que as vezes quando não demonstro é quando eu mais quero demonstrar. É que as vezes eu sou mesmo assim: desajeitada por ter jeito demais. Hilário não é? Da pra entender?
Dia trinta e um de março: sempre foi o nosso dia, você sabia? Acho que não. Mas eu sempre soube. Sempre notei todos os seus detalhes (até aqueles imperfeitos que me irritavam) porque eu sempre amei tudo em você e mesmo querendo muito, nunca esperei nada em troca. Você me fez ver que amar é apenas isso: a m a r. Essa palavrinha de quatro letras que cabe o mundo inteiro dentro delas. Amar é amar aquilo que a pessoa é e faz você sentir, e não amar o que ela sente por você. E você sempre fez eu me sentir incrível, sabia? Você era o meu amuleto, minha sorte na vida de ter alegria e aimeudeus como eu fui feliz do teu lado mesmo com todo ciúme, com toda distância, com toda insegurança, mesmo com os empecilhos e tudo o que eu mais queria era te fazer sentir pelo menos metade disso.
Pela primeira vez eu soube: eu estava amando e isso não iria passar  nem tão cedo. Talvez um dia passe, talvez não, o que eu não quero que passe somos nós. Sempre tivemos uma ligação muito forte e eu só que você sabe. É isso que nos faz ser pra sempre nós e não apenas eu e você. Entende? Sei que um dia, ainda distante, eu possa gostar de alguém, talvez. Quem sabe casar sei lá. Talvez. Mas sinto do meu eu mais profundo que é você aquele alguém que sempre vai me ter consigo. Que é só estalar os dedos e eu volto. Mas como eu posso voltar se eu nunca fui embora?
Um ano. Trezentos e sessenta e cinco dias e está tudo aqui ainda, do que você deixou. Será que um dia você vem arrumar? Porque eu continuo aqui. Porque eu me importo, eu amo, eu me preocupo, eu quero você sempre comigo e mesmo que eu tenha que te ver atolada em trabalho meio distante ou amando outro alguém eu sempre quero você perto de mim e sendo feliz. Quero ver você arrancar um enorme pedaço do mundo com esse teu brilho que pode iluminar o mundo inteiro. Porque você é meu Cazuza, o meu Chico, minha bossa nova, meu rock'n'roll, minha banda favorita, meu livro predileto, a rua que eu passo todo dia, o programa matinal da tv, o meu cigarro, a minha cerveja, o meu bem, o meu amor. E isso não é uma mentira de primeiro de abril.
Eu nunca vou deixar o que eu mais quero ter comigo.
E entre mais um milhão e quinhentas coisas que eu quero te dizer: Feliz um ano meu amor.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Aonde é o nosso lar?

Sinto que não há mais um lugar pra mim, que não há mais espaço para eu ser eu. O mundo gira tão depressa que às vezes parece devagar, mas o mundo sempre gira. E gira. Gira mundo cão!
Gira e me leve para outro lugar. Uma outra era, uma outra dimensão psicodelica que me faça acreditar que um dia as coisas hão de mudar, pois desde que o mundo é mundo, as pessoas são perdidas. Será que a gente nasce para se encontrar ou é a gente que se perde no caminho?
Não venta mais pra cá e os dias vão queimando como cigarro: cinzas e com gosto amargo, e que gosto amargo tem a vida quando ela não sabe ser doce. Será que é a gente que azeda? O tempo vai dizer.... Ou não. Às vezes tenho a impressão de que o tempo é mudo e em sua mudisse é que aprendeu a dizer muita coisa. Ou não também... O problema é que a gente nunca sabe e passa a vida tentando saber.
Será que a vida é algo além de esperar? Estou esperando a resposta. Se alguém souber, favor me contactar, não tenho nome, não tenho casa, não tem lugar pra mim, não tenho nada meu. Apenas sonhos. Mas espero que um dia eu pare de sonhar e comece fazer tentando encontrar nesse mundo louco, o meu lar pra viver.

Será que todo mundo tem um lar? Aonde ele deve ser?