quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Eu já cheguei a achar que iria encontrar o amor da minha vida. Eu já cheguei a achar que não merecia ninguém. Eu já cheguei no meu auge de sentimentalismo, eu já cheguei a ser bem cafajeste. Eu já transbordei de sentir, eu já não senti nada. Eu já fui amor, eu já fui babaca. Agora eu não sou nada. Vivo nessa busca incessante de saber o que sou e acabo sendo tudo. Ou acabo não sendo nada. Dividida entre o querer e o tentar, o fazer e o fracasso, me acomodo nos dias flamejantes que queimam minhas órbitas e eu já não enxergo nada. Nem sei se sabia o que ver, mas sei que ainda sigo uma direção, ainda que eu não saiba qual, ainda que eu não saiba onde ela dê. Porque a vida é assim, não é meus caros? Passamos ela inteira procurando saber o que fazer sem realmente fazer alguma coisa, ainda que achemos que estamos fazendo algo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Arabella.

Minhas botas sujas de lama mancham calçadas por aí, minhas olheiras tapadas pelo primeiro rayban que eu encontro refletem as noites em claro que passo na boêmia dos bares da cidade. Toca um som dos anos setenta na jukebox de lugar nenhum e minha jaqueta de couro preto com meu jeans rasgado falam por mim. Corações e copos quebrados, o gosto de uísque se misturando ao batom borrado de qualquer moça bonita que se demonstre um pouco mais interessante das que costumo encontrar pelas ruas de nenhum lugar. O cigarro que está em minha boca marcha rumo a fuga da realidade de que preciso, uma pista de dança e a gente fica bem melhor por lá, eu quero tudo que as melhores fodas e amores podem me dar. Quero ficar na boêmia que escolhi viver então capote o camburão, despiste os caras de azul, beba até fazer o mundo girar e me faça acabar a noite no lado certo de uma cama errada e tudo fica bem. Deixo alguém pedindo por mais, me visto dos pés a cabeça e saio para nunca mais voltar. Caminho pelas ruas e abro a porta do primeiro bar da segunda esquina e grito:

- Mais um copo por favor!

Porque ta tudo bem começar tudo de novo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

I wasting my time.

Está me matando todas as coisas que eu tenho que fazer e não faço, eu estou perdendo tempo com essas pessoas e eu sou como fogo de gasolina baby, queimando por um ideal. Todo mundo sabe o jogo que joga e eu estou fazendo tudo girar novamente. Hoje, amanhã, algum dia, sigo o meu sonho enquanto ele não me segue. A vida comanda e ela ganha de novo mas hoje eu só quero mais um dia, amanhã mais um outro, assim por diante. Eu estou morrendo, queimando meus dias como nada e isso me dói. Minha pequena pílula de felicidade, aonde você se encontra? Me pegue firme dirija meus olhos, minhas mãos e minha pele, me leve para casa e mantenha minha mente sã, faça diferente, aqueça os papéis do meu coração e deixe as fotos de abril voarem com o outono, sabemos a quem pertencemos não se esqueça disso. Tudo que era azul virando cinza, ainda estou tentando me lembrar dos tempos bons, de como era ser só mais uma menina. Há uma batida psicodélica adormecida em meu coração, talvez ela possa acordar em um fim de semana qualquer, vamos balançar e quebrar para tentar. Há tanto em mim que nem eu consigo ver, adormeci e não vejo quem possa ser capaz de me acordar, talvez um dia nós voltemos a saber como é amar.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Ampulheta.

Areia movediça,
Fumaça que me embaça
Céu azul distante, minha sala de cinema.
Cansaço, fracasso, me despedaço.

Onde estão meus outros pedaços?

Vinte e um invernos,
Mais um ano que se passa
Outra folha em branco a ser rabiscada
Mais um tempo perdido.

O que fazer com o que já foi vivido?

Querido ninguém,
É desgraçado o tempo que se passa em minha cabeça
E não há lugar pior para se viver do que em si mesma
Quando já não se sabe o que esperar mas continua esperando alguma coisa.

Ainda que você não saiba o quê.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

MF, MB2.

Eu já cansei de me perguntar: e se?
E se a gente tivesse outra chance, se desse outra chance, se permitisse outra chance de ser qualquer coisa que fosse a mais especial, como a que a gente já teve antes,
Como é que ficaríamos agora?

Eu sei que talvez você ainda mataria aulas para me ver e a gente fugiria para um lugar um pouco mais escondido, para torná-lo só nosso mais uma vez,
Sujaríamos mais lugares imaculados com o mais doce amor
Você não hesitaria em me ligar quando precisasse e eu não ficaria receosa em dizer: sinto sua falta.
Tudo voltaria ao normal como se nunca tivesse deixado de ser.
Porque no fundo, de alguma forma, eu sinto que nunca deixou e talvez de algum jeito você sente também.

Você precisaria de mais coragem.
E por mais estranho que parecesse ainda gritaríamos ao vento o nosso amor
Amor que nunca foi mentiras ao pé do ouvido
Amor que nunca foi bobagem
Amor que sempre foi o que tive de mais lindo
Ainda tenho.

E se a gente se esbarrasse e tentasse algo de novo?
Invadiríamos todos os banheiros do estado do Rio de Janeiro e ainda seria pouco
Cantaríamos todas as canções de amor
Iríamos Cazuzear pela zona sul a norte e você, alta demais pela sua cerveja de garrafa verde, daria aquele riso escancarado que gosto tanto de ver
Entrelaçaríamos nossas mãos, olharíamos nos olhos uma da outra e  de algum jeito saberíamos: nunca é cedo para retomar uma história.
Nos beijaríamos tanto que ficaríamos sem ar
Mas quem precisa de ar quando se tem a quem amar?
Eu preciso de você e não importa como for
Desde que seja
Só não deixe mais tanto tempo passar
Por favor.

E se a gente se estranhasse?
Natural, o tempo passa
Mas é só se lembrar que as unhas continuam ruídas,
Os cabelos continuam curtos,
O desejo continua o mesmo:
Você,
Eu.
E que aquela outra metade daquele velho coração, continua pertencendo a quem lhe foi dado
A verdade é que eu passei a ser muito mais metade depois de você
E nunca mais fui inteira
Mas os sentimentos podem sempre permanecer quase intactos.

E você, será que ainda me acha a mulher mais linda no mundo pra ti?
É claro que não
Mas foi doce você tentar.
Ainda lembro de você me dizer para disso não esquecer nem por um segundo
A verdade é que você sempre foi a melhor pessoa em me fazer sorrir no mundo
Talvez seja por isso que não me lembro mais como é sorrir
Assim, de verdade, verdadeira.
E você? Se lembra o quanto de mim?

Se o mundo nos deixasse tão loucas
E desse tantas voltas, você ainda seguraria minha mão?
Sinto falta dela percorrer o meu corpo
E ainda invadiria a ala dos fumantes só para me beijar?
Eu correria uma lagoa inteira só para te pegar e perguntar o que aquela canção dizia:
Vem comigo?

E você, viria?

MF,MB.

Você está mais bonita conforme o tempo, teus cabelos estão mais loiros, seus sorrisos mais freqüentes, sua liberdade ficando mais firme. Às vezes eu sinto tanto a sua falta que eu só queria te ver pra dizer isso, mas a gente nunca se vê e isso ainda me dói. Sempre vai doer.
Sinto falta das tuas mãos que se entrelaçavam tão bem nas minhas, ah que saudade... sinto falta das tuas poesias e dos teus poemas serem dirigidos, dedicados a mim. Sinto falta de ser tua bebida, tua comida e teu ar. Sinto falta de ser a mulher mais linda no mundo pra ti. O mundo nunca mais foi o mesmo sem você baby, e dia após dia, noite após noite eu ainda sinto a sua falta. Tanto. Tanto que chega doer, mas eu já te disse: sua ausência sempre dói.
Não sei dizer o que mudou para nós mas já cansei de me perguntar: e se tivéssemos outra chance de ser,  o que a gente iria fazer? Aposto que talvez você fugiria - mais uma vez - dizendo que o tempo passou, que você pode me machucar e se machucar outra vez ou daria qualquer outro motivo por puro medo de sentir o que sempre sentiu por mim e eu, mesmo entendendo tantas coisas e ainda desentendendo tantas outras nesse passar de tempo, mesmo com tudo contra ao nosso redor não hesitaria nem um segundo para olhar nos teus olhos tendo a certeza de que você me ama mais uma vez. Ali, naquele momento, naquele local, não pensaria no resto, só em você. Em nós. Se eu tivesse um pedido, um ultimo pedido, eu ainda pediria você, pois se Cazuza ainda estivesse vivo ele cantaria mais inúmeras canções de amor e nenhuma delas ainda seriam suficientes para dizer: o quanto eu sinto tanto a tua falta.

sábado, 5 de setembro de 2015

Traduza-me.

Eu queria escrever. Mas não tenho nada de bonito sobre o que escrever. E não quero mais falar das coisas que doem. Mas então eu tenho os dias de sol, os dias com nuvens, os dias de chuva. Tenho um cover de uma velha música muito boa tocando na vitrola mas não tenho nenhum vinho barato, acabou o cigarro e eu nem sei se fumo mais. Tenho bocejos de sono mas não tenho sono.
Eu queria escrever sobre algo bonito, uma poesia enigmática, um clichê barato, frase de botequim, o que viesse primeiro. Algumas pessoas conseguem isso tudo, algumas pessoas não conseguem nada disso. E tem eu, que fico no meio disso e daquilo. Às vezes é bom, noutras vezes pesa, outras vezes acho até que dói. Uma eterna confusão. Eu queria saber mais, entender mais, viver mais. Sobreviver menos.
Eu queria ter algo bom para escrever, algo sobre suspiros e a falta de ar, algo sobre uma coisa física doida de controlar, um frio no estômago, um aconchego no coração. Vai ver eu apenas queira o que todo mundo quer: um amor que me consuma, paixão e aventura e até uma dose de perigo. Vai ver eu apenas queira sentir algo diferente desse nada.
E todos sabem né: nada é apenas uma palavra buscando tradução.
Talvez eu só espere quem vá ser capaz de me traduzir.
Traduza-me.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Um pouco muito de saudade o tempo todo.

Às vezes eu sinto sua falta. Quando eu ouço Chico ou Caetano ou quando eu vejo alguém com uma garrafa verde de cerveja na mão porque eu sei o quanto você gosta de beber, sinto sua falta quando vou ao seu bairro ou quando acelera um pouco mais rápido meu coração. Sinto saudade de você um pouquinho quando vejo uma poesia em algum lugar, ou quando vejo alguém de cabelo em cima dos ombros ou pela altura do queixo. Sinto um pouco de saudade quando lembro das histórias tão nossas, como naquele dia no metrô que você matou a minha sede na saliva igual ao nosso poeta dizia. Sinto falta do teu sorriso escancarado, da tua saia listrada e do teu dente torto. Um charme. Sinto falta de te olhar nos olhos pequena, e saber que é bem ali onde eu deveria ficar. Com você.
Às vezes sinto sua falta, como numa madrugada feito essa em que me pego sorrindo com uma lembrança nossa, e meu peito quase vira um grão de arroz de tanto aperto. Eu sinto a sua falta um pouquinho. até quando acho que não, até quando penso que deixei pra lá, até quando tento seguir em frente.
Às vezes eu sinto sua falta um pouquinho. Um pouquinho o tempo todo, às vezes quase sempre. Saudade.