quarta-feira, 23 de março de 2016

Salada de Frutas 2.0

Eu sinto falta das tuas palavras,
Dos teus textos rimados,
Das palavras bem colocadas
Que explica as linhas e entrelinhas do teu coração.

Sinto falta do doce do abacaxi que agora só tem me mostrado seus espinhos,
Sinto falta de não ser um bagaço feito tangerina,
Sinto falta de ser parte daquelas frutas que faziam parte do teu ninho,
Sinto falta de ser a quem você recorria.

A mangueira desaguou demais
E só ficou o azedo do limão perspicaz
Agora somos duas maçãs partidas no meio
Tão podres que ninguém quer mais

Mas você sempre foi mais bonita
E teus cabelos de ameixa também
Alguém te recuperou do chão
Me deixando sem ninguém

Só com caraminholas dando voltas
Em minha cabeça com cabelos de abacate
Virando um suco de mágoas
Tão confuso e sem vida feito um vinagre.

Fico feliz se encontrou sua outra metade da laranja
Mas não entendi porque mudar de jardim
Fiquei feito goiaba com seus parasitas sacanas
Te vendo partir assim

A uva que era tão verde voltou a ser vinho,
O pêssego já perdeu sua cor,
O caju foi roubando por aquele passarinho
E a sua salada de frutas azedou.

Não queria mas foi assim que ficou
E eu não sei se posso perdoar
A moça dos cabelos cor de caqui
Por me deixar sozinha aqui.

Acontece.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Noite de março e parte do céu se encontrando.

Eu queria tentar mostrar
Nesses versinhos
Simplezinhos
Que eu só queria alguém.

Alguém como Júpiter está sendo companhia para Lua
Nessa noite insone de março
Trazendo luz para um barco
Meio feio e furado

Não precisa ser amor,
Pode ser uma parada bem mais legal
Como segredos sussurrados no vento e planos que fazem rir,
Um blues ou indie tocando no momento

Sorrisos trocados,
Suspiros pesados
E a sensação de paz que dá
Quando a gente encontra alguém que ouve e dança a mesma música que você

Queria encontrar uma dessas também.
Júpiter e a Lua encontraram.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Eu poderia escrever um texto enorme sobre isso, mas eu gosto do simples e às vezes o simples explica bem.

Então... Me peguei pensando em você. De novo. Pra variar. E pensando em como eu queria um dia te encontrar na boêmia da zona sul e ter uma noite louca com você como naquele texto em que você me fez onde trocávamos pílulas azuis na saliva e numa tentativa de encontrar cigarros, nos amamos. Bem ali em uma escada de madeira numa casa qualquer. Eu ainda o tenho aqui. Eu o li de novo, inclusive. Queria que de vez em quando, você ainda escrevesse coisas assim para mim.

Tudo isso é só pra dizer: ah, que saudade de ser o motivo dos seus textos.

domingo, 6 de março de 2016

Blue Moon.

Ontem eu sonhei com você e já fazia tanto tempo... o que não mudou em nada o fato de que acordei sentindo falta de nós como sempre acontece quando contigo eu sonho. Eu vi teu sorriso tão nítido em minha frente, vi teus cabelos brilharem ao tocarem meu rosto, seu olhar feliz ao fazer o que gostava, seu rosto triste ao ter que fugir às pressas pro teu pai não ter que esperar, senti o gosto da tua boca, o paraíso perfeito pro meu infernal diário. Foi tudo tão nítido como se fosse real: são sempre assim meus sonhos com você e quando acordo, sempre me perguntando os por quês. Talvez eu seja uma porta que agora se encontrada fechada mas que você sempre bata porque no fundo nunca esquece o caminho para encontrá-la. E o fato é: não importa o que aconteça, eu sempre volto pra você porque eu sempre vou estar lá para você, assim como a falta que sinto de nós vezequando, ou no fundo quase sempre.
Eu achava que você era minha lua azul, e sempre me perguntei se eu não tinha deixado você ir cedo demais porque você foi o meu primeiro, o meu primeiro amor, aquelas três palavras, e eu não podia deixar de pensar, mas acontece que você nasceu sem amarras e sinto que nada que eu pudesse fazer te faria ficar, não naquele momento, um dia talvez. E eu me pergunto qual de nós está mais fodida e porque você teve - ou tem - tanto medo de ser feliz? Por que correu do que poderia ser? E quem se tornou mais insensível de algum jeito por causa dos seus traumas? Talvez algum dia a gente descubra as respostas, porque dúvida sobre ti já chega, eu já tenho de sobra.
Ontem eu sonhei com você e quando acordei - mesmo sorrindo - me perguntei o por quê. E me perguntei como você estaria, será que tinha talvez sonhado comigo também. Aliás, você sonha comigo? Acho que nunca vou saber essas e tantas outras coisas sobre você. Mas você sempre será o melhor mistério que eu vou ter.

Talvez você tenha sido a minha lua azul.

terça-feira, 1 de março de 2016

Terça-feira fria.

Às vezes você vê uma cena romântica de um casal em um filme antigo e só deseja que aquilo aconteça com você. Em um dia frio qualquer você se aquece dos pés a cabeça, pega suas chaves, veste seu gorro preto e sai, está anoitecendo, as luzes da cidade já começam a se acender e você para na cafeteria na próxima esquina e pega seu café, da um volta pelo bairro e na volta você atravessa a avenida com as mãos no bolso do seu casaco cor de pele com a cabeça meio baixa e deseja que ao olhar pro lado você encontre outro par de olhos que também estejam a te mirar e que naquela fração de segundos, aconteça um clique, um estalo mental que te faça perceber que você acabou de conhecer alguém que vai mudar a sua vida. Às vezes você ouve uma canção bonita e só queria estar abraçada a alguém num quarto escuro enquanto olham pro teto e compartilham um silêncio cheio de conversas, é  momento bonito pois vocês entendem o que aquela música está dizendo e sentem a vibe que ela consegue passar, vocês parecem sentir a mesma coisa. Às vezes você lê um livro e deseja ser o herói daquela mocinha (ou vice-versa) na aventura sobrenatural que eles estão vivendo página após página mesmo que você tenha um pouco de medo daquela história, para que sua vida tenha um pouco de ação e romantismo assim também, você não quer ser mais assim tão monótona. Às vezes você escreve textos numa madrugada solitária de terça-feira contando tudo isso, está frio e tudo o que você quer é às vezes poder estar abraçada a alguém.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Um Conto Sobre Marie.

Se você vivesse nos anos 70 caminharia feito uma bad girl de cinema porque é isso que você é, e com suas botas preta cano médio e sua calça, sua blusa e sua jaqueta de couro, tudo preto que é pra combinar com parte da sua alma, andaria até encontrar o próximo bar. Acenderia um cigarro que no canto da sua boca citaria vários poemas para as mais carentes almas. Você acharia e finalmente entraria no bar bem mais frequentado daquela cidade e pediria a dose mais forte de uísque que o lugar tiver, olharia o local metro por metro em busca de sua presa e não te importa se ela estará usando calças ou saias desde que você faça seu trabalho direito e tenha saído satisfeita. Você só quer dar e ter o prazer garantido, também não importa quantas camas virem furacões nem quantas tempestades num pingo d'água te façam por causa disso depois porque amanhã, você fará tudo de novo. Sempre amanhece e você sempre viaja com seu Cadillac preto para outro lugar, você só quer acordar no lado certo de qualquer cama errada. Você viaja milhas e milhas e conhece um novo e estiloso bar. Sua boca agora está encharcada de licor que escorrega e corre pelo vale entre teus seios e alguém por ali te mira. E te deseja. É bonitinho, você quer. Ele mexe em uma mecha de seus cabelos que vão até o fim de seu pescoço, ele sorri, quer te levar pra casa e ficar com você, está encantado. Ele quer construir família e apresentar para a mãe, quer casar com você. E você ri com desdém e acha graça do pobre coitado que acordará amanhã se perguntando aonde você está, por que não ficou com ele? O que ele tinha de errado? Nada. Até fodida bem, era cheiroso, tinha bom papo e era boa pinta mas você não se prende. Não é de nenhum lugar quem dirá de alguém. Você tem a liberdade de ser de todos que te quiserem, e que você quiser também. Mas você fica com ele e acontece o que você já previu. E aí você apenas veste sua roupa, compra um maço de cigarro novo e segue para a estrada sentindo o vento nos cabelos até a próxima parada que é um clube de blues ou bar rock'n'roll, vai ver são os dois. Você só entrou porque gostou do local. Sentou, chamou o garçom e agora sua boca tinha gosto de vinho. Do outro lado do salão uma moça lhe fita e ela daria tudo para experimentar tal gosto. O decote dela parece saltar em seus olhos e você a nota. Mais alguns passos e lá está você. Sentada ao seu lado, acendendo seu marlboro e contando casos de não-amores. Você ri das suas outras vítimas, faz delas uma piada para sua nova conquista que ri também sem saber que talvez ela será a próxima a entrar na história, porque é assim que você é: livre demais pra se prender. A moça no fundo sabe disso, ela conhece seu tipo mas é quase inevitável se manter longe do perigo que você é, então ela te leva para seu apartamento de solteira e lá vocês marcam a casa inteira. Um tempo depois estão suadas e ofegantes olhando pro teto, agora já na cama ambas pensando "uau". Vocês adormecem. O dia ainda nem amanheceu mas você desperta, o céu está escuro e as estrelas ainda brilham, deve ser cinco da manhã. Você olha a moça ressonar baixinho em seu ouvido deitada em seu ombro e pensa: "foi a melhor foda da minha vida"e cogita até ficar. Pensa uma, pensa duas, pensa três vezes como há muito tempo não pensou mas aí se lembra da promessa antiga que se fez: de sempre se colocar em primeiro lugar sem nunca deixar ninguém atrapalhar e se você não manter-se afastada de perigos como essa moça, você nunca mais vai conseguir isso. Então você a olha e sorri, dá um jeito de sair de seus braços, lhe dá um último beijo sem que ela acorde, se veste e finge esquecer sua jaqueta, sem deixar que a tal moça se quer imagine que você deixou mais do que isso por lá. Alguma parte sua ficou também. Você deixa um bilhete pedindo desculpas e promete voltar e talvez um dia você realmente volte. Quem sabe? Seu velho e bom carro à espera do lado de fora do portão do prédio e algumas horas depois lá estava você: em outro lugar, outro destino, tomando pílulas coloridas que te fazem suar e ver o mundo em cores intensas, você não se importa em viver uma vida louca agora. Você não se preocupa porque leva a vida que quer viver mesmo que às vezes e só às vezes, você queira trocar de lugar com alguém e não ser mais assim tão só.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Eu já cheguei a achar que iria encontrar o amor da minha vida. Eu já cheguei a achar que não merecia ninguém. Eu já cheguei no meu auge de sentimentalismo, eu já cheguei a ser bem cafajeste. Eu já transbordei de sentir, eu já não senti nada. Eu já fui amor, eu já fui babaca. Agora eu não sou nada. Vivo nessa busca incessante de saber o que sou e acabo sendo tudo. Ou acabo não sendo nada. Dividida entre o querer e o tentar, o fazer e o fracasso, me acomodo nos dias flamejantes que queimam minhas órbitas e eu já não enxergo nada. Nem sei se sabia o que ver, mas sei que ainda sigo uma direção, ainda que eu não saiba qual, ainda que eu não saiba onde ela dê. Porque a vida é assim, não é meus caros? Passamos ela inteira procurando saber o que fazer sem realmente fazer alguma coisa, ainda que achemos que estamos fazendo algo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Arabella.

Minhas botas sujas de lama mancham calçadas por aí, minhas olheiras tapadas pelo primeiro rayban que eu encontro refletem as noites em claro que passo na boêmia dos bares da cidade. Toca um som dos anos setenta na jukebox de lugar nenhum e minha jaqueta de couro preto com meu jeans rasgado falam por mim. Corações e copos quebrados, o gosto de uísque se misturando ao batom borrado de qualquer moça bonita que se demonstre um pouco mais interessante das que costumo encontrar pelas ruas de nenhum lugar. O cigarro que está em minha boca marcha rumo a fuga da realidade de que preciso, uma pista de dança e a gente fica bem melhor por lá, eu quero tudo que as melhores fodas e amores podem me dar. Quero ficar na boêmia que escolhi viver então capote o camburão, despiste os caras de azul, beba até fazer o mundo girar e me faça acabar a noite no lado certo de uma cama errada e tudo fica bem. Deixo alguém pedindo por mais, me visto dos pés a cabeça e saio para nunca mais voltar. Caminho pelas ruas e abro a porta do primeiro bar da segunda esquina e grito:

- Mais um copo por favor!

Porque ta tudo bem começar tudo de novo.