terça-feira, 18 de março de 2025

reinventar.

não. eu não quero mais esse misto de sentimentos e sensações acabando comigo. não! eu não quero criar teorias, conspirações, dar asas a paranóias e minhas próprias ilusões, quero saber que eu sou eu e que sou incrível. não quero mais duvidar de mim, me dizer que não sou capaz ou boa o suficiente. porque eu sou. a vida é bonita demais e eu não quero mais perder tempo. quero segurar a mão de quem queira segurar a minha, quero voar em mil e um pedaços de mim por aí, me reinventando, agarrando a chance de ser um eu diferente em cada lugar. quero sorrir para vida enquanto ela me sorri de volta, quero esvaziar o baú das memórias. quero lembrar apenas do que me foi bom e quero enche-lo de novo com isso. quero gritar ao vento que sou incrível e quero que as pessoas certas enxerguem isso. não quero me oprimir para caber, não quero estar tão presente para me fazer invisível. quero apenas a dose certa para ser e deixar ser. 


espero que em algum momento alguém queira ser comigo também.

segunda-feira, 17 de março de 2025

versinho da frustração.

esse caos que bate do nada em meu peito

como chuva de verão que vem sem avisar

e inunda tudo,
como quem o mundo vai destroçar 


não quero ver, não quero falar

não quero pensar, não quero sentir

quero duas doses de gim,

um brigadeiro e um cafuné para acalmar


está chovendo lá fora 
e tudo o que eu quero fazer é fugir

talvez eu nem tenha percebido 

porque a chuva começou é dentro mim. 

segunda-feira, 10 de março de 2025

inspirações de uma nova madrugada.

como uma brisa de um dia fresco de verão
você me apareceu.
de reprente e revigorante, trazendo um novo ar
pra me lembrar como é viver,
com outro ser humano

uma noite, uma madrugada, uma conversa
quatro horas da manhã e você me quer ao seu lado
calma meu novo flerte, desacelera meu quem sabe amor
tenho que conhecer teu terreno
pra evitar novos hematomas e dor

você diz que não cai em golpes
enquanto eu fui golpeada demais
todo cuidado é pouco para quem sente demais
mas contraditória, com lua em peixes que sou,
cá estou eu escrevendo sobre algo que nem sei aonde parar eu vou

quem sabe nos teus sonhos, na nova banda que você descobriu?
no bar do centro que você vai, em uma folga num dia par?
ainda não descobri esse meu novo eu
nem as torturas e delícias  de ser quem ele é
mas em meio a tantos golpes, escolhe cair quem quer

descobri que talvez,
seu precipício seja um bom lugar para parar.


domingo, 16 de fevereiro de 2025

desconforto momentâneo.

há um grito mudo,

entalado em meu peito,

clamando para sair


há um pedido de socorro

um choro demorado 

escapado em um sôfrego 


há um desconforto,

um desgosto, 

um incômodo,


na pele que habito

e habitar em mim, tem me tirado a paz

não aguento mais sentir tudo o que sinto


há um pedido de socorro

sussurrado ao vento 

clamando acalento 


mas entalados em meu peito 

não há quem possa ouvir 

essa desordem desse caos que há em mim


quem dera eu pudera

ser tão normal e banal 

e fingir que vivo em festa


um dia eu aprendo

a ser robótica como eles

e se não aprender, 

eu invento, não há quem impeça 


sou uma invenção 

de mim mesma

que nem eu entendo

talvez um dia, 

eu mesma me convença. 

domingo, 19 de janeiro de 2025

a primeira bad de domingo do ano.

ando cansada. ponto, suspiro profundo, quase um pesar.

ando cansada. cansada de esperar coisas que não virão, do peso dos dias, a responsabilidade em minhas costas, da falta de grana, de ser assim tão só e ser tão só por ser quem sou. ando cansada dos dias, da mesma rotina, de não ser quem eu queria ser. ando cansada do meu paladar, do meu corpo que aumenta, do meu cabelo que não me agrada mais, das roupas que não servem, dos anos se passando, da vida ficando séria. de não ter ao meu lado quem me segure a mão, de não ter quem beba um drink comigo. às vezes eu preciso de um porre pra esquecer do desastre dos dias, o problema é que não há cerveja no mundo que me faça esquecer que ando cansada de mim, mesmo sendo tão incrível como sou… ando cansada de ter que escolher ser só do que mal acompanhada. 

talvez o problema seja em quem não consegue me enxergar, mesmo podendo me ver. talvez o errado venha de mim, que espero demais de um mundo tão raso. 

que dó de mim, que oceano…

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

(re)encontros do passado.

eu não sei bem como foram as coisas depois do nosso primeiro encontro há mais de dez anos atrás.

não lembro suas manias, nem do seu jeito de pensar.

não me recordo como foi que nos afastamos durante os anos,

não me lembro o jeito como conseguia te ler bem,

mas lembro como foi ouvir sua voz pela primeira vez.

lembro das suas unhas roídas,

das mordidas que deixei,

do teu cabelo loiro e delineado preto,

do malrboro vermelho,

do jeito em que aos tropeços, queria misturar teu hálito alcoólico ao meu,

de como adorava blusas xadrez

e também de ouvir foo fighters.

lembro inclusive, de como queria roubar minha camisa deles também.

não lembro qual foi o dia em que nos conhecemos,

nem como foi nossa última conversa antes de nos afastarmos

e pra ser sincera, nem lembro qual é o gosto do teu beijo

mas não vejo a hora de você me fazer relembrar…

sábado, 23 de novembro de 2024

novembro, primavera - 2024.

eu queria ser vista como alguém importante demais para ser deixada.
eu queria ser inesquecível demais para não ser lembrada.
eu queria que lembrassem do meu cheiro 
e queria que pensassem em mim sem nenhum receio.

queria que viesse um sorriso à tona toda vez que de mim lembrassem
e eu queria que nada disso não importasse.

o problema é que importa.
são pensamentos constantes de quem não se sente amparada, querida ou ser quer vista,
é como se a mim não enxergassem.

e antes de tudo,
antes de ser lembrada,
antes de ser vista
e até mesmo amada,
eu queria era ser vista por mim.
como a mais bela flor do jardim
de minh'alma,
pois antes disso,
como posso eu
ser querida,
beijada,
desejada,
ou se quer mesmo amada?

tenho que amar a mim
pois ninguém me amará
melhor do que eu.

mas não custaria nada,
alguém mais, tentar.


segunda-feira, 13 de maio de 2024

às vezes é difícil não pertencer...

eu sinto que não há lugar no mundo para mim, porque eu me sinto muito sempre fora de órbita. não por mim, mas pelos lugares, pessoas, momentos.
é difícil não se sentir pertencendo a lugar nenhum, parece que sou sempre um compromisso marcado fora de hora, uma nota no rodapé que ninguém quis ler, o copo esquecido em cima do balcão criando mosca, a tampa da caneta que deixaram cair embaixo da mesa e ninguém quis pegar. eu sou sempre o depois. não o aqui, não o agora. nunca uma escolha, uma lembrança, uma vontade de ficar, quem dirá saudade... é difícil querer sempre TANTO e ter tão pouco. é, tem gente que tem menos e sabe mais, e eu, que quase nada sei, pediria perdão a cazuza, pois raspas e restos não me interessam. perpetuo essa verdade em minha solidão.
talvez meu lugar no mundo, seja em um lugar dentro de mim, e talvez, não haja lugar melhor para pertencer...