sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Tem não tendo.

Na gaveta da saudade tem você.
Na estante mais alta do meu quarto, tem o teu sorriso que eu guardei.
No meu armário tem o teu cheiro na minha roupa.
Na minha boca tem o teu gosto que eu nunca provei.
Tem você por todos os cantos, tem você por todos os lugares,
Tem você o tempo todo.
Só não tem você aqui, perto de mim.
Então me diz aonde você está que eu vou ai te buscar.
Teu lugar agora sou eu,
Faz do teu abrigo o peito meu.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Entre ir e voltar, prefira ficar.

Você é livre. E eu sempre gostei disso, se não fosse pelo o fato de que você é livre porque tem medo. Mas por que tens medo? Eu posso imaginar mas a gente nunca sabe como é. Só você pode saber e eu queria que você me contasse. Mas você não contou. Você é livre. Então você quis voar, mas queria que eu te impedisse. O que eu poderia fazer se quando eu quis lhe afagar você foi-se embora? Eu quis entrar, conhecer cada detalhezinho seu, te vasculhar. Você não deixou. Me bocoitou e me expulsou a vassouradas da beira da sua porta de entrada e eu fiquei te vendo fechar a porta de novo.
No dia seguinte você a abriu, pediu desculpas mas se sentiu traída por eu não te segurar. O que você não sabe é que o que eu mais quis desde o momento em que meus olhos pousaram nos seus de ressaca era te segurar. Firme. Forte. Eu não iria te deixar soltar, mas eu não posso segurar o que voa por entre as minhas mãos. E você quer voar. Então voa. Eu vou mudar algumas certezas de lugar mas eu ainda vou esperar te ver dançar tua dança de cigana pra me acompanhar nessa minha dança sem par.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Puft!

Então é isso. Uma hora a gente entende. E aprende. Não, não é de uma hora pra outra. Leva tempo, demora, então puft! A gente entende. E aprende.
Mas não é "e puft". Demora, leva tempo, coisas acontecem e desacontecem. E a gente entende. Aprende. Aprende que a vida não é o que a gente sonhou, nem as pessoas ou as coisas. Mas não devemos parar de sonhar, a gente aprende a sonhar baixinho porque a queda ta logo ali. A gente aprende, entende, que somos sozinhos. Entramos nessa vida assim e não sairemos diferente. A gente entende, aprende a não viver de migalhas e a buscarmos o nosso próprio pão. A gente entende, aprende que a solidão não é assim tão só. Sempre terá você e você mesmo e quem melhor do que você para conviver com você mesmo? A gente aprende que conto de fadas igual a lenda do Peter Pan não existe, e viramos exército de um homem só construindo nosso próprio castelo.
Desde sempre tentavam me abrir os olhos pra isso, mas eu ingênua, pequena, não quis enxergar. Vinte anos. E então puft! A gente entende, aprende, que viver em seu próprio casulo é melhor do que largar tudo pelo o que nem se sabe direito. A gente constrói nosso castelo e ergue o nosso muro. A gente entende, aprende, que é sempre melhor não deixar ninguém entrar.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Matérias do Querer.

Coloca o mundo no mudo e só escuta a minha voz. Me deixa de castigo no canto da tua boca. Eu juro que não vou me perder. Ou vou. Ou melhor: eu irei... Irei me perder em teus lábios como gosto de vinho, te causando arrepios e até mais que isso. Vou descer até tua garganta e cair em teu seio. Vou penetrar tua alma e teu corpo como o gosto amargo do cigarro faz. Eu vou te despir e te fotografar com os olhos até te despir com as mãos e ouvir você dizer que quer mais. Você vai querer. Vou percorrer teu corpo como a água da chuva faz quando cai e te molha toda. Eu não sossegarei enquanto não juntar cada átomo meu com cada átomo seu e descobrir de onde vez essa química toda.
Eu  acho que vem dos  meus óculos escuros e do teu sorriso sarcástico, acho que vem do meu cabelo bagunçado e das tuas roupas descoladas,  acho que vem do que eu quero e achei em ti e do que você quer e encontrou em mim. Que a física nos permita então dois se transformar em um nessa nossa fusão.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ficando Doente.

Eu não consigo parar de pensar em você! Mas que maldita doença será essa? Não me diga, eu não quero saber, pois se eu souber terei que tomar o antídoto e o que eu quero mesmo é me perder em seus olhos castanhos, em tua mente cheia de labirintos, em tuas coxas inconfundíveis. É, eu acho que estou ficando doente porque quero me perder em você, pronto, é isso. Não quero o antídoto pra essa loucura que é te querer, ser louca não deve ser assim tão mal, né? E se for, não há problema. Use tua voz de sereia que me encanta pra me chamar e me salva com tuas mãos e boca. Esqueça das roupas então. Una-se a mim, fique doente e louca comigo, recuse o antídoto e que nós descubramos a nossa parte perdida enquanto eu me perco em você e você em mim. Porque afinal, podemos descobrir que estar doente não é tão ruim assim...

domingo, 26 de janeiro de 2014

É tudo mentira...

Tudo é mentira. Tudo é uma grande piada. Tudo não passa de uma comédia sem graça. Esse tal tudo é a minha vida.
É, eu percebi, me dei conta de que tudo não passou de ilusão e sempre foi assim. Eu sempre invento, imagino, crio, dá tudo sempre no mesmo. Tudo é mentira. Eu nunca vivi de verdade. Logo eu que não me interesso pelas raspas e restos tenham vivido apenas disso. Raspas e restos da minha própria imaginação. Mas que piada! Eu não passo disso: uma piada sem graça que nem mesmo o contador ri. Ou ri de tão idiota e deprimente que é. E então chora. O desespero é tanto que o pranto parece que não vai acabar mas de repente, acaba. E você levanta a cabeça com os olhos borrados e vê que já não importa mais. Abre as cortinas do teatro imundo que resolveu por pura pena passar a tristeza que é essa comédia sem graça, e faz o seu papel. Ou melhor: eu faço o meu papel. Aquele de uma qualquer sendo uma qualquer na própria desgraça. Mas eu já não ligo, eu riu com sarcasmo porque é tudo piada. E não passa de mentira...

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Fazendo Besteira. Ou não.

Da minha janela da pra ver a lua. Ela sai de trás da montanha e eu penso: "que lindo, alguém deveria ver isso comigo." Então eu penso em você. Penso em alguma piadinha besta que você possa fazer e que me faça revirar os olhos e contorcer os lábios pra não rir só pra não dar o braço a torcer. Penso que depois você ficaria calada, deitada em meu peito ou sentada com as mãos envolvendo as pernas e o queixo apoiado nos joelhos mergulhada em seus próprios devaneios enquanto eu ficaria observando a luz da luz refletindo em seu rosto. E aí eu penso: "mas que diabos eu estou fazendo?" É, eu tenho essa mania de ver as coisas nas pessoas e acreditar nelas. Eu vi algo em você. E brilha. Brilha intensa e tristemente assim como algo em mim deve brilhar também (ou pelo menos eu acho que sim), será que você viu? Eu quebro muito a cara com isso, com essas coisas que no final podem ser somente ilusões.
Me pergunto no que você está pensando agora. Será que está vendo a lua? Será que você pensa em mim? Eu penso em você. Às vezes com mais força do que eu gostaria, é que eu tenho essa mania de meter os burros na frente dos bois, seria mesmo essa a expressão? Tanto faz. Eu penso se valeria à pena adquirir mais uns machucados em minha face só para ter alguns (incríveis) momentos com você e por alguns instante eu penso que sim: valeria deliciosamente à pena... Então eu volto a realidade, mas ainda estou pensando em você. Droga! Isso é uma droga e a gente tende a morrer com as melhores (que seriam as piores) drogas.
Será que chegará o dia em que eu morro por você? E você, seria capaz de morrer por mim?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Ciclo Sem Fim.

Os pulsos cortados encharcam de vermelho a folha que antes era branca e tu vomita tuas dores ali. Tinhas esperança de que a lâmina levasse toda dor embora e tudo passasse. Não passa, eu sei. Nada faz passar e você grita. Grita em silêncio, sozinha, trancada no seu quarto com uma música triste tocando no rádio. Mas ninguém te escuta porque ninguém quer realmente te escutar e você chora. E a noite se vai assim, nesse ciclo vicioso de dor sem fim, então cansada de tanto sentir, sangrar e chorar, você adormece sem perceber.
Amanhece e a luz do sol entra pela janela iluminando seu rosto. Você acorda mas não abre os olhos, fica remoendo os acontecimentos da noite passada e desejando estar em qualquer outro lugar. Você deseja ter alívio mas quando abre os olhos vê que há novas feridas ao lado das nem tão antigas cicatrizes. E suspira com tristeza. Um ciclo vicioso de dor que parece não ter fim. Mas você deseja que tenha, com cada pedacinho do seu ser mesmo que não tenha coragem para fazer isso acontecer.
Você deseja que a mágica existisse e que tudo se resolvesse com ela, mas como não existe, você levanta, escova os dentes e veste alguma jaqueta velha mesmo com um calor de 30 graus lá fora. Qualquer coisa para que não vejam as suas novas - e antigas - marcas. Você abre a porta do seu quarto, toma fôlego, sorri seu sorriso mais falso e vai fingir que você é quem queria ser, esperando a hora de poder voltar pro seu quarto e fazer tudo novamente.