segunda-feira, 3 de junho de 2019

lobo feroz.

tem algo quebrado aqui dentro,
algo fixado em minhas entranhas como o mais perigoso vírus.
tem um grito preso, entalado em minha garganta
que quer se deixar explodir com o vento.

tem um fardo de um milhão de toneladas em meus ombros
e em meus calcanhares já se encontram calos demais.
nada me parece como naqueles contos
onde um cavalo branco irá aparecer com alguma solução sagaz.

o espelho me conta mentiras que me soam como verdades sinceras,
as revistam me mostram histórias que não precisam ser reais
há beleza em tudo o que se pode ver,
mas não nos sentimentos capaz de enxergar.

o medo me sussurra histórinhas ao pé do ouvido que arrepiam os cabelos
dois pés parados, empacados no mesmo lugar,
e agora nem a luz do luar me inspira a correr.
quem me dera ser um lobo feroz capaz de tudo fazer.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

às vezes eu não queria ser tão eu...

tem gente que sabe o que quer,
tem gente que não faz a mínima ideia do porque de estar aqui.
tem gente que sabe cantar,
tem gente que sabe dançar,
tem gente que sabe desenhar,
tem gente que é boa em atuar,
tem gente que é boa em ouvir,
tem gente que sabe fugir,
tem gente que sabe falar,
tem gente que é bonita por fora,
tem gente que é bonita por dentro,
tem gente que é bonita em tudo,
tem gente que sabe demais
e tem eu,
que não sei nada.

às vezes eu gostaria de não ser tão eu
mas se eu não fosse eu, 
eu seria tão vocês
e ser vocês
é tão
não eu,
que fica chato.

às vezes eu me sinto sem talento algum,
às vezes eu sinto que não sirvo para nada
mas ainda que isso fosse verdade,
ainda que o fundo do poço seja fundo,
não há nada melhor do que ser você
e eu posso não ser nada
mas sou eu.

e às vezes, isso basta.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

confusões tão profundas que nem sei...

eu me lembro da primeira vez em que tive meu coração tomado por alguém,
em que eu realmente tive meu coração tomado por alguém...
me lembro da primeira vez em que li uma história na internet e senti tão profundo que me vi ali.
mas não me lembro da primeira vez em que ralei os joelhos
ou da primeira vez em que cortei o cabelo.
em compensação, eu me lembro da primeira vez em que quebrei um osso
e das noites em que passei chorando.
ambos ainda parecem ontem.
eu não sei com que pretensão comecei esse texto,
talvez seja importante falar sobre as primeiras vezes,
mesmo aquelas que a gente não lembra.
e eu não me lembro de tanta coisa...
mas me lembro de querer várias outras, como agora por exemplo,
em que eu só consigo pensar em vinhos e flores vermelhas,
piscina a noite e cerveja gelada.
talvez no fundo isso seja algo que eu quero, mesmo sem saber.
eu não me lembro da primeira vez em que soei tão confusa
mas me lembro de nunca mais parar...
o mundo é dos loucos e talvez, eu seja insana demais.
talvez seja uma coisa que perpetua...

terça-feira, 6 de novembro de 2018

estamos dançando em um quarto em chamas.

como eu faço para esquecer se toda vez que acho que superei, tua lembrança se faz em mim mais forte do que das outras vezes?
e já não há espaço em minha memória para guardar coisas que fiquei por dizer. mas como agora eu poderia falar se percebi não querer ouvir? tudo bem, direito teu, mas como ousa dizer que achavas que não é nada para mim se tudo o que tu és, é o que eu sempre desenhei em minha cabeça? és a única luz que eu verdadeiramente vi... mas agora, não vejo mais muita coisa por entre teus olhos negros e nublados, incógnita. e se um dia eu já lhe disse que os olhos são as janelas da alma, então as suas estão fechadas para mim.
eu queria um sinal, seu, do cosmos, de qualquer lugar. eu gostaria de saber se ainda devo lutar por algo, se ainda vale a pena acreditar, também descobrir o que se passa em sua cabeça. mas isso não é a calmaria depois da tempestade e não estamos mais em momentinhos bobos onde planejamos bobagens e o mundo é câmera lenta enquanto o foco somos eu e você nos olhando bobas a sorrir. você e eu. juntas. agora eu já não consigo mais abraçá-la, você age como quem quer me machucar e machuca. porque você sabe que pode. agimos feitos dois perfeitos estranhos e nada mais para quem já se conheceu tanto é tão cruel do que isso.
em um mundo onde já foi a calmaria do azul claro, o doce do rosa, o roxo da ira, o amarelo da união, até por último o verde da esperança, me parece que fechamos nosso arco-íris com o vermelho do fogo.

e estamos incendiando.
estamos dançando em um quarto chamas enquanto assistimos o que tanto tentamos fazer funcionar queimar.
nada mais é igual,
estamos acabando.
você consegue perceber.
dói. mas é real,
agora eu consigo ver.
ainda poderíamos ter sido amor. mas estamos condenadas.
enfim aos poucos acabam-se os alarmes falsos.

pena tudo ainda me parecer tão certo,
mas me deixarei queimar numa última dança lentamente com você.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

5h58.

quantas vezes mais em minha mente você virá me atormentar?
quantas vezes mais como um fantasma irá bater em minha porta enquanto tenho esperança em lhe ver regressar?
quantas vezes você vai me assombrar dia após dia enquanto não vejo nada sobre nós mudar?
quantas noites mais o caos de pensar tanto em você e no que a gente se tornou irá a minha insônia dominar?
são 5h58 da manhã mais de quatro anos depois, e eu ainda não vejo como tudo que há de você aqui dentro irá solucionar.

embora algo tenha para sempre se quebrado, embora eu ainda uma chance quisesse, eu não aguento mais. queria qualquer morfina que viesse e terminar com todo o caos que teu nome traz.

domingo, 14 de outubro de 2018

percepção.

e quando você tenta se fazer entender
colocando seu mundo inteiro nas mãos de alguém,
e reza
e confia
tudo aquilo de mais secreto e que mais importa,
naquele ombro em que é o único no mundo no qual você gostaria de colocar a cabeça
e então de repente tudo muda, vira fumaça, não existe, é câmera lenta
e no caos de uma completa confusão, parece fazer sentido.
e ainda fazia,
até agora.

agora já não há esperança,
já não há vingança que se compre,
já não confiança,
já não há amor daí
mas sim daqui.
o tempo todo que me parece enlouquecer.
e há o medo.
e a dor,
de que tudo aquilo em que você depositou seu mundo não fosse um buraco negro em seu coração
que tomou conta a incredulidade e a decepção.

agora há o poço.
e ele é fundo.
tão fundo quando a certeza do talvez
de que eu nunca mais vá parar de gostar de você.
saí de mim para morrer em ti
e agora já nem me reconheço mais.
muito menos teus cabelos vermelhos.
nem naquela primeira em que a vi.
já não te reconheço mais.
pesa.

hoje eu rezo para poder esquecer.
mas não esqueço,
nunca.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

the broken hearts club.

eu acho que nessa vida já me parti tanto em mil pedaços,
para tantas pessoas que não mereciam.
acho que já senti demais para pessoas que nem realmente me viam.
eu já fui estilhaçada, estraçalhada, esmigalhada, transformada em vácuo...
tudo por sentir demais.
acho que talvez seja esse o meu problema: eu sinto demais para gente que sente tão pouco.
eu preciso de um analgésico para emoção,
entorpecer meu cérebro e coração,
preciso parar de me importar demais.
eu preciso de mais vento gelado no rosto em dias frios e do meu cigarro preferido no bolso,
eles são boas companhias.
eu preciso talvez de um lugar onde eu não me sinta mal em sentir tão profundo,
onde há mais malucos como bowie e menos gente fingidamente feliz
talvez eu só precise de alguém, qualquer alguém, até mesmo um triste
porque até mesmo um triste é capaz de fazer o solitário se sentir menos solitário,
como ele sempre quis;
eu preciso de coisas que nunca tive mas a realidade me esmaga demais
e se me sinto perdida no tempo, que bom seria encontrar mesmo na miséria companhia.
seria bom ser pelo menos, para variar, uma vez entendida.
será que há tantos loucos como eu por aí?
se eu gritasse, alguma voz iria me ouvir?
se eu chamasse, alguém iria vir?
talvez eu só devesse abrir mais um club,
onde ninguém se sentiria só dessa vez.

sexta-feira, 23 de março de 2018

perguntas que se repetem.

comprei o cigarro mais aceitável que o dinheiro dava para comprar
aceitei minha tristeza nostálgica como uma velha amiga,
entoei pelos ares versos de uma canção que nem todo mundo conhece,
já não sou mais tão vista, do pouco que era.
ando desacompanhada pelos lugares, não faço parte de nada,
e não me sinto fazendo parte de nada.
ninguém entende, nem fazem questão de entender.
uma lista de músicas sobre almas desgraçadas me parece ser a melhor amiga que posso encontrar nos últimos tempos.
nem 30 e já me sinto mais solitária que o alasca inteiro.
metade do maço já se foi, a brisa quente e leve do início de outono os levou consigo,
junto a fumaça que abandona minha boca.
e em mais um trago que dou, olhando pro nada, começo a me perguntar:
quando será que deixarei de ser uma alma atordoada pelo amor,
para finalmente ser uma alma encontrada por ele?

perguntas se repetem, penso.