sou um cometa viajando sozinho pela galáxia,
observando solitário as estrelas em suas contelações abraçadas
caminhando lentamente com toda a minha força, com todo o meu fogo,
me sentir acolhido assim e não com socos.
às vezes por milésimos de segundos,
às vezes por séculos,
olhando tudo ao meu redor,
procurando encontrar soluções que humanos veem nos livros
para matar o aperto em meu peito quente.
vaguei por planetas, encontrei asteróides, vi até humanoides contemplando a lua,
por diversas vezes querendo fazê-la sua.
mas tudo o que encontrei foram mais bolas de neve e gelo
vagando distantes mas nunca perto de mim
transformando meu coração em rocha assim.
sou um cometa vagando por aí solitário
que de tanto andar e tanto ver,
aprendeu que na vida tem coisas tão lindas
mas também que por mais que a gente queira,
há cenários que não podem serem mudados.
segunda-feira, 8 de março de 2021
cometa solitário.
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
ainda lembro.
eu buscava poesia em todo lugar, até que você me apareceu. eu buscava sentir o coração cheio de outra coisa que não fosse nada, até que você me encontrou. perdida naquele lugar, tentando fazer graça, lutando na raça por qualquer coisa que fosse, algo para me sentir viva. eu buscava me encontrar e tudo o que fiz foi me perder. me perdi nos cachos de cazuza das tuas músicas, nas ruas chiques e aconchegantes do leblon, nos museus da cidade, nas tuas palavras que se enlaçavam em mim feito corda enfeitaçada, repleta de feitiços para me encantar. e eu acreditei nelas. nas tuas rimas ritmadas, na tua confusão sonolenta de manhã ao acordar cedo, nos choros loucos de ciúmes bobos sem sentido, nas mãos entrelaçadas em segredo, nos beijos dados em uma surpresa que no fundo era esperada, no jeito bobo em que eu ficava sempre que em ti pensava. eu acreditei, eu realmente acreditei. mas assim como uma brisa fresca de verão, um sonho doce de inverno, uma música leve de outono e uma poesia inspiradora de primavera, como veio você se foi: de repente. e eu fiquei em frangalhos. em cima de uma cobertura de madrugada foi onde eu descobri como era perder algo que você sempre esperou e desde então eu nunca mais fui a mesma.
mesmo agora anos depois, você que não sentiu o mesmo já se esqueceu de tudo e eu vira e mexe nas brechas do tempo me pego pensando no amor jovem que a gente viveu.
não sei como está sua vida, nem sei por onde anda agora mas espero que saiba que mesmo de longe e nunca mais pra ti aparecendo, eu ainda me lembro e te mando muito amor.
obrigada por tudo de bom que me fizestes sentir, que sejas feliz minha flor.
terça-feira, 21 de janeiro de 2020
forasteiro
conheci vários rostos
percorri alguns corpos
provei diversos gostos
fiz e desfiz malas
enchi e esvaziei mochilas,
copos então nem se fala
vi tudo mudar de lugar
vi gente chegando e gente sumindo
causei algumas lágrimas e sorrisos
passeei por algumas camas
escrevi meu nome pelos muros
vi algo divino
e vi o inferno chegar
a fome me atingiu
e já matei a sede em noites de luar
rodei por aí me perguntando
onde é que andará
o que há tanto me foi perdido,
tanto que nem sei mais se algum dia havia sequer existido
não sei se tenho para onde voltar,
talvez minha casa seja em qualquer lugar
onde finalmente eu possa achar
o meu tão perdido eu
forasteio por aí
procurando encontrar
o que tiver que ser meu.
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
fogo poético.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2019
clichê amargurado.
é, que clichê amargurado sou..
emaranhados.
um emaranhado de cabelos ao vento, desgrenhados
um emaranhado de pensamentos desconexos que se cruzam o tempo todo,
passando então a fazer algum sentido
eu sou um emaranhado de tempo perdido
um emaranhado de ilusões descabidas
um emaranhado de sentimentos de alguém que passa sempre despercebida
e acaba sempre ficando perdida
eu sou um emaranhado de coisas que queria dizer e que acabam ficando por aqui
eu sou um emaranhado de lugares que ninguém quer ir
eu sou um emaranhado de músicas que ninguém mais ouve
eu sou um emaranhado de coisas que ninguém sabe o que houve
eu sou um emaranhado bagunçado
de coisas que tento descrever
e então vejo,
que não sou capaz de dizer.