eu queria não gostar de você.
queria te olhar e nao sentir meu estômago revirar como se estivesse em uma montanha russa, queria não desejar que eu fosse a pessoa que você mais quer falar durante o dia, queria não querer que eu fosse a pessoa que passa o dia inteiro na sua cabeça, queria não esperar que você deseje meu abraço como eu desejo o seu, queria não imaginar você amando outras pessoas que não seja eu, queria não sentir que estou pisando em ovos com você quando tudo o que eu quero é gritar meus sentimentos mais sinceros, queria não querer que você me dê qualquer sinal de que ainda podemos tentar apostar nossa última ficha no cassino do amor, queria não sentir que sou apenas mais uma qualquer que passou em sua vida, mais uma em sua lista de contatos. queria te olhar e não desejar que você queira me beijar tanto quanto eu desejo te beijar também, queria não passar horas do meu dia desejando falar com você, queria não querer ser quem você deseja ter por perto para escapar quando o mundo anda pesado demais, queria não desejar ser quem você quer deitar a cabeça no peito e desabafar todas as tuas angústias ou o silêncio de apenas ser e deixar ser, queria não passar horas imaginando em minha cabeça mil e uma cenas de amor que poderíamos viver. queria não colocar meu mundo inteiro em suas mãos como se você pudesse e quisesse segurá-lo. queria não passar anos da minha vida querendo todas essas coisas mas acima de tudo, queria não gostar de você, quem sabe assim eu pudesse enfim voltar a viver sem sentir todo o amor do mundo sem que ninguém possa saber...
quarta-feira, 26 de maio de 2021
eu queria não gostar de você.
domingo, 2 de maio de 2021
queria ter para onde ir
queria ter para onde ir, fugir, correr para outra galáxia onde eu pudesse gritar. gritar a plenos pulmões o peso que é carregar seu mundo nas costas. mundo esse que ao ver de outros até pode parecer fácil, frágil, quase nada, besteira sem preocupação, mas só você sabe o caos e o furacão de ser você. e sentir o que você sente. é como um córrego de um rio desenfreado, buscando a toda e com toda a força seu ponto de partida e de chegada, seu lugar no mundo. linhas e entrelinhas se embaraçam feito o fio da navalha que sempre é apontada para a sua garganta. tem sempre uma guilhotina lhe esperando na esquina e mesmo que aos tropeços você consiga desviar, há tiros a queima roupa esperando para te pegar. viver é brusco, um risco e tem sido um inferno esses dias.
queria poder ser, gritar, chorar, fugir...
segunda-feira, 8 de março de 2021
cometa solitário.
sou um cometa viajando sozinho pela galáxia,
observando solitário as estrelas em suas contelações abraçadas
caminhando lentamente com toda a minha força, com todo o meu fogo,
me sentir acolhido assim e não com socos.
às vezes por milésimos de segundos,
às vezes por séculos,
olhando tudo ao meu redor,
procurando encontrar soluções que humanos veem nos livros
para matar o aperto em meu peito quente.
vaguei por planetas, encontrei asteróides, vi até humanoides contemplando a lua,
por diversas vezes querendo fazê-la sua.
mas tudo o que encontrei foram mais bolas de neve e gelo
vagando distantes mas nunca perto de mim
transformando meu coração em rocha assim.
sou um cometa vagando por aí solitário
que de tanto andar e tanto ver,
aprendeu que na vida tem coisas tão lindas
mas também que por mais que a gente queira,
há cenários que não podem serem mudados.
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
ainda lembro.
eu buscava poesia em todo lugar, até que você me apareceu. eu buscava sentir o coração cheio de outra coisa que não fosse nada, até que você me encontrou. perdida naquele lugar, tentando fazer graça, lutando na raça por qualquer coisa que fosse, algo para me sentir viva. eu buscava me encontrar e tudo o que fiz foi me perder. me perdi nos cachos de cazuza das tuas músicas, nas ruas chiques e aconchegantes do leblon, nos museus da cidade, nas tuas palavras que se enlaçavam em mim feito corda enfeitaçada, repleta de feitiços para me encantar. e eu acreditei nelas. nas tuas rimas ritmadas, na tua confusão sonolenta de manhã ao acordar cedo, nos choros loucos de ciúmes bobos sem sentido, nas mãos entrelaçadas em segredo, nos beijos dados em uma surpresa que no fundo era esperada, no jeito bobo em que eu ficava sempre que em ti pensava. eu acreditei, eu realmente acreditei. mas assim como uma brisa fresca de verão, um sonho doce de inverno, uma música leve de outono e uma poesia inspiradora de primavera, como veio você se foi: de repente. e eu fiquei em frangalhos. em cima de uma cobertura de madrugada foi onde eu descobri como era perder algo que você sempre esperou e desde então eu nunca mais fui a mesma.
mesmo agora anos depois, você que não sentiu o mesmo já se esqueceu de tudo e eu vira e mexe nas brechas do tempo me pego pensando no amor jovem que a gente viveu.
não sei como está sua vida, nem sei por onde anda agora mas espero que saiba que mesmo de longe e nunca mais pra ti aparecendo, eu ainda me lembro e te mando muito amor.
obrigada por tudo de bom que me fizestes sentir, que sejas feliz minha flor.
terça-feira, 21 de janeiro de 2020
forasteiro
conheci vários rostos
percorri alguns corpos
provei diversos gostos
fiz e desfiz malas
enchi e esvaziei mochilas,
copos então nem se fala
vi tudo mudar de lugar
vi gente chegando e gente sumindo
causei algumas lágrimas e sorrisos
passeei por algumas camas
escrevi meu nome pelos muros
vi algo divino
e vi o inferno chegar
a fome me atingiu
e já matei a sede em noites de luar
rodei por aí me perguntando
onde é que andará
o que há tanto me foi perdido,
tanto que nem sei mais se algum dia havia sequer existido
não sei se tenho para onde voltar,
talvez minha casa seja em qualquer lugar
onde finalmente eu possa achar
o meu tão perdido eu
forasteio por aí
procurando encontrar
o que tiver que ser meu.
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
fogo poético.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2019
clichê amargurado.
é, que clichê amargurado sou..
emaranhados.
um emaranhado de cabelos ao vento, desgrenhados
um emaranhado de pensamentos desconexos que se cruzam o tempo todo,
passando então a fazer algum sentido
eu sou um emaranhado de tempo perdido
um emaranhado de ilusões descabidas
um emaranhado de sentimentos de alguém que passa sempre despercebida
e acaba sempre ficando perdida
eu sou um emaranhado de coisas que queria dizer e que acabam ficando por aqui
eu sou um emaranhado de lugares que ninguém quer ir
eu sou um emaranhado de músicas que ninguém mais ouve
eu sou um emaranhado de coisas que ninguém sabe o que houve
eu sou um emaranhado bagunçado
de coisas que tento descrever
e então vejo,
que não sou capaz de dizer.