domingo, 16 de fevereiro de 2025

desconforto momentâneo.

há um grito mudo,

entalado em meu peito,

clamando para sair


há um pedido de socorro

um choro demorado 

escapado em um sôfrego 


há um desconforto,

um desgosto, 

um incômodo,


na pele que habito

e habitar em mim, tem me tirado a paz

não aguento mais sentir tudo o que sinto


há um pedido de socorro

sussurrado ao vento 

clamando acalento 


mas entalados em meu peito 

não há quem possa ouvir 

essa desordem desse caos que há em mim


quem dera eu pudera

ser tão normal e banal 

e fingir que vivo em festa


um dia eu aprendo

a ser robótica como eles

e se não aprender, 

eu invento, não há quem impeça 


sou uma invenção 

de mim mesma

que nem eu entendo

talvez um dia, 

eu mesma me convença. 

domingo, 19 de janeiro de 2025

a primeira bad de domingo do ano.

ando cansada. ponto, suspiro profundo, quase um pesar.

ando cansada. cansada de esperar coisas que não virão, do peso dos dias, a responsabilidade em minhas costas, da falta de grana, de ser assim tão só e ser tão só por ser quem sou. ando cansada dos dias, da mesma rotina, de não ser quem eu queria ser. ando cansada do meu paladar, do meu corpo que aumenta, do meu cabelo que não me agrada mais, das roupas que não servem, dos anos se passando, da vida ficando séria. de não ter ao meu lado quem me segure a mão, de não ter quem beba um drink comigo. às vezes eu preciso de um porre pra esquecer do desastre dos dias, o problema é que não há cerveja no mundo que me faça esquecer que ando cansada de mim, mesmo sendo tão incrível como sou… ando cansada de ter que escolher ser só do que mal acompanhada. 

talvez o problema seja em quem não consegue me enxergar, mesmo podendo me ver. talvez o errado venha de mim, que espero demais de um mundo tão raso. 

que dó de mim, que oceano…

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

(re)encontros do passado.

eu não sei bem como foram as coisas depois do nosso primeiro encontro há mais de dez anos atrás.

não lembro suas manias, nem do seu jeito de pensar.

não me recordo como foi que nos afastamos durante os anos,

não me lembro o jeito como conseguia te ler bem,

mas lembro como foi ouvir sua voz pela primeira vez.

lembro das suas unhas roídas,

das mordidas que deixei,

do teu cabelo loiro e delineado preto,

do malrboro vermelho,

do jeito em que aos tropeços, queria misturar teu hálito alcoólico ao meu,

de como adorava blusas xadrez

e também de ouvir foo fighters.

lembro inclusive, de como queria roubar minha camisa deles também.

não lembro qual foi o dia em que nos conhecemos,

nem como foi nossa última conversa antes de nos afastarmos

e pra ser sincera, nem lembro qual é o gosto do teu beijo

mas não vejo a hora de você me fazer relembrar…

sábado, 23 de novembro de 2024

novembro, primavera - 2024.

eu queria ser vista como alguém importante demais para ser deixada.
eu queria ser inesquecível demais para não ser lembrada.
eu queria que lembrassem do meu cheiro 
e queria que pensassem em mim sem nenhum receio.

queria que viesse um sorriso à tona toda vez que de mim lembrassem
e eu queria que nada disso não importasse.

o problema é que importa.
são pensamentos constantes de quem não se sente amparada, querida ou ser quer vista,
é como se a mim não enxergassem.

e antes de tudo,
antes de ser lembrada,
antes de ser vista
e até mesmo amada,
eu queria era ser vista por mim.
como a mais bela flor do jardim
de minh'alma,
pois antes disso,
como posso eu
ser querida,
beijada,
desejada,
ou se quer mesmo amada?

tenho que amar a mim
pois ninguém me amará
melhor do que eu.

mas não custaria nada,
alguém mais, tentar.


segunda-feira, 13 de maio de 2024

às vezes é difícil não pertencer...

eu sinto que não há lugar no mundo para mim, porque eu me sinto muito sempre fora de órbita. não por mim, mas pelos lugares, pessoas, momentos.
é difícil não se sentir pertencendo a lugar nenhum, parece que sou sempre um compromisso marcado fora de hora, uma nota no rodapé que ninguém quis ler, o copo esquecido em cima do balcão criando mosca, a tampa da caneta que deixaram cair embaixo da mesa e ninguém quis pegar. eu sou sempre o depois. não o aqui, não o agora. nunca uma escolha, uma lembrança, uma vontade de ficar, quem dirá saudade... é difícil querer sempre TANTO e ter tão pouco. é, tem gente que tem menos e sabe mais, e eu, que quase nada sei, pediria perdão a cazuza, pois raspas e restos não me interessam. perpetuo essa verdade em minha solidão.
talvez meu lugar no mundo, seja em um lugar dentro de mim, e talvez, não haja lugar melhor para pertencer...

sábado, 24 de fevereiro de 2024

B.R.D.

me desculpa amor,
por ter chegado tarde,
por em algum momento ter te destroçado,
por não ter saído da minha boca
o "sim" que você queria ouvir,
por perder tempo demais
com alguém que já não me queria.
mas a vida é mesmo assim...
tem gente que marca
nossos corpos, mente, coração, alma
e ela me marcou.
acontece que há marcas maiores,
que vem de outras vidas
e essas amor,
ninguem vai apagar.
nem ela.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

entrelinhas do tempo.

os dias tem se arrastado, e o gosto amargo do cigarro, tem sabor das cinzas de abril de dez anos atrás. faz tanto tempo e de tempos em tempos eu revisitava as memórias, como quem abre a porta da geladeira buscando o que comer - ou o que comprar, - como quem anda pela sala de estar empoeirada da sua velha casa de infância e lembra de quando bateu o dedinho na quina do sofá. mas dessa vez não. dessa vez, num dia ensolarado de fevereiro, em meio a uma risada que nem chegou a se completar, a nostalgia se fez tão forte, tão presente, que eu quase posso sentir você aqui comigo de novo. a presença de quando você era por mim e eu por você. e eu, como quem não sabe dançar, deixo a vitrola tocar os mais lindos discos de amor que eu já ouvi: todos sussurram seu nome. e ele é doce de escutar.

já faz muito tempo amor e até eu, que vira e mexe, de tempos em tempos, perco um dia ou dois pra revisitar as memórias, não entendi o que houve dessa vez. é quase como se eu pudesse sentir meu coração pulsar no exato segundo em que me dei conta que era apaixonada por você. então no segundo seguinte, esse músculo vermelho pulsante em meu peito se encolhe ao relembrar da dor que foi ver você partir. uma montanha russa agridoce de emoções que me trilham um caminho, que me leva diretamente a dez anos atrás.

dez.
dez anos.
dez anos atrás.

e toda vez que eu me lembro, parece que foi ontem.
como posso te sentir tão perto, se nunca esteve tão distante?

domingo, 18 de fevereiro de 2024

sua.

sobre as luzes de setembro

contemplo seu rosto,

manchado pelas marcas do tempo

e pelas impurezas do dia-a-dia


teu sol fez marca em minha alma,

seu mar deu sede em meu ventre,

com cada gota salgada

me fez sua como quem nem sente.


sem esforço me teve,

com esforço me fui

e agora antes de ser minha, 

para sempre serei sua.