há um grito mudo,
entalado em meu peito,
clamando para sair
há um pedido de socorro
um choro demorado
escapado em um sôfrego
há um desconforto,
um desgosto,
um incômodo,
na pele que habito
e habitar em mim, tem me tirado a paz
não aguento mais sentir tudo o que sinto
há um pedido de socorro
sussurrado ao vento
clamando acalento
mas entalados em meu peito
não há quem possa ouvir
essa desordem desse caos que há em mim
quem dera eu pudera
ser tão normal e banal
e fingir que vivo em festa
um dia eu aprendo
a ser robótica como eles
e se não aprender,
eu invento, não há quem impeça
sou uma invenção
de mim mesma
que nem eu entendo
talvez um dia,
eu mesma me convença.