quinta-feira, 16 de novembro de 2017

sobre o clichê que eu sou...

eu entendi. eu finalmente entendi.

entendi que eu ouço coisas que a grande, - enorme eu diria - maioria chamaria de velharia.
entendi que prefiro a tardes no parque apenas observando as pessoas em suas vidas alheias ou tendo uma boa companhia ao meu lado compartilhando de um silêncio confortável do que sair, beber, dançar, fazer loucuras até sair fora de órbita.
entendi que eu também tenho meu lado rebelde, meu lado selvagem mas que preferiria usá-los como os livres, rebeldes e selvagens os usam nos livros.
entendi que eu sou uma bagunça cheia de paradoxos dentro de si.
entendi que eu procuro alguém que me beije de baixo da chuva, que não tenha medo de parecer louco quando tiver que parecer, alguém que eu possa falar, cantar e tocar as coisas mais puras e profundas que existem dentro de mim sem medo de ser julgada e rejeitada, alguém que me entenda nas coisas que desesperadamente clamo em minha alma para ser entendida.
entendi que quero alguém que me abrace no fim da noite toda a noite e que me abrace mais apertado ainda quando as coisas não irem tão bem.
entendi que quero alguém para ouvir Billie Holiday ou Johnny Cash na sala de estar enquanto desfrutamos de uma bela taça de vinho e lemos algumas coisa.
eu entendi que gosto e quero viver clichês.
entendi que quero alguém a quem entregar meu coração sem medo de devolução.
e finalmente entendi, que essa sou eu meus caros: apenas uma garota procurando por algo que não existe.

e por isso eu finalmente aceitei os fatos: a solidão, a música e as histórias serão meus únicos casos.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

anseio.

ainda estou bêbada da noite passada
o gosto do cigarro ainda amarga meu paladar

o anseio em meu peito de nunca mais conseguir confiar
cresce latente me enchendo de vertentes

as memórias ainda frescas em minha mente
impregnam o meu ser, meu sangue, minhas veias

com a sujeira do mundo
e a podridão do ser humano

quem dera eu ser animal
que não pensa

só sente,
muito.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

this town.

I want to leave this town
stop spinning again and again
and never stop anywhere

I understood that things are not fair
I want to leave the fear of living back
and face life with courage

I want to forget the names i left here,
the doses i took,
and the times that i've gone over and over again

I want to stop being the road
to finally be the train,
keep me warm and forget the cold

I want to forget the neighborhood memory,
forget that old tree
and all the things that i saw here

I want to leave this town
stop feeling lonely in a crowd
can someonehear me?

it's all fear
it's all pain
it's all solitude

and never stops,
just start over
so i don't want to look back

i want start living the way i should
rediscover this city
find new places, new people, new loves

and finally start living.

sábado, 14 de outubro de 2017

70's head.

Às vezes eu só queria ser uma garota livre dos anos setenta.

Aquela que veste couro preto e jeans da cabeça aos pés, rayban nos olhos, que faz o que quer na hora que quer sem se privar e se importar com o que forem pensar dela, e que por isso, é considerada quase sempre uma encrenqueira. Aquela que entra em bares, joga sinuca, faz amizade com desconhecidos, ri solto no ar, bebe uísque como se fosse água, sobe na caminhonete e enquanto algum amigo dirige a quase cem por hora, sente o vento batendo forte no rosto. Aquela que mergulha em represas e em lugares que não deveria nem sequer entrar. Aquela que acorda ao meio dia com ressaca e dirige um mustang preto de estrada em estrada passando de cidade em cidade vendo o pôr e o nascer do sol, colecionando histórias e amantes, por não ter amarras e ser apenas do mundo. Aquela que ninguém esquece o beijo ou o olhar, ou como a liberdade transpira ao se mostrar.

Às vezes eu só queria ter nascido nos anos setenta. E às vezes, para fugir da realidade eu mergulho em meus devaneios. E de certo, às vezes as coisas são melhores dentro da minha cabeça.

domingo, 16 de julho de 2017

Um conto sobre uma noite que ainda quero viver.

Vestida de preto da cabeça aos pés com a visão meio embaçada, copo em uma mão, ando por entre as pessoas esbarrando em todos esses corpos, até nossos pares de olhos se encontrarem. Sorrisos sedutores trocados, vontades imensas, uma música que agrada os ouvidos, a mesma vibe, meu caminhar de vilã de cinema até você, oitudobem, conversa ao pé do ouvido, dança sensual. Te empurro para o canto escuro da direita, tento pegar você. O movimento não para e a noite não está tentando ser mais jovem porém nós sim. Você desvia e sai andando, eu me sento e você vai dançar, joga charme, faz de tudo para provocar, eu só observo caindo de quatro nesse jogo. Eu digo: sente-se ao meu lado, encare as coisas de forma natural, hoje pode ser uma noite selvagem você tem a minha atenção, é só pegar a minha mão. Você então a pega. E se senta, mais palavras trocadas até passarmos por entre os corpos suados, não temos regras nem leis, não nos importamos se nunca havíamos nos visto antes, nossos corpos ganham vida e fazem o movimento que querem fazer, logo estão perto demais e mais alguns segundos depois, o gosto da vodka em minha boca finalmente encontra o de chiclete de menta da sua e mesmo em meio a música alta eu juro, eu pude ouvir o som dos fogos de artifício lá fora.

Se separar ainda não é uma opção mas ainda há muito mais para aproveitar, então eu pego a sua mão e saímos do cubículo escuro para dar de cara com o fim de noite lá fora. Pulamos em monumentos, tiramos fotos em estátuas, viramos algumas garrafas de cerveja, acordamos os prédios com nossa gargalhada alta, pois já dizia um velho ditado: não tem graça ser fora da lei sozinho. Trocamos nossos hálitos de novo e é tudo tão bom, você é um fósforo e eu me sinto a gasolina. Eu quero queimar com você. Mas minha caminhonete nos espera, pronta para protagonizar a cena de um filme nem tão clichê. E nós protagonizamos. Nós nos sentimos selvagens, descoladas, infinitas. Você me pede para te levar para qualquer lugar, não quer que essa sensação acabe e nem eu. Então eu te levo para conhecer o meu pequeno apartamento no centro da cidade. O tom do céu está ficando mais claro e lembra do que eu disse sobre queimar mais cedo com você? Bem, hoje é o sol que se sentirá ofuscado pela luz do fogo que vai sair daquele quarto.

domingo, 9 de julho de 2017

por que só eu?

eu vivo entre pecados
de armadilha em armadilha
me desmonto em pedaços
nessa tortuosa trilha
de embaraços

me perco em becos escuros
dentro da minha própria cabeça
e lá se vão meus dias confusos
sendo mantidos em cativeiro
por essa eterna tristeza

não é fácil viver assim,
ninguém enxerga através de mim
e de tanto insistir
eu já parei de tentar,
os mínimos detalhes enxergar

por que só eu deveria olhar,
coisas que ninguém mais vê?

sexta-feira, 23 de junho de 2017

pra moça dos textos, dos desenhos, da salada de fruta e do cabelo que tanto gosto.

Deitada em meu pequeno espaço particular que se encontra no escuro do meu quarto eu penso demais em você. Penso mais do que você um dia vai saber, mas tudo bem.

Penso em como seria minha vida com você e ah, o gosto dessa fantasia me parece tão suculento... Vejamos como iria ser:

Seríamos aquele típico casal - que não sabe se é um casal - revolucionário, cheio dos ideais, parecendo ter saído de um filme francês. E não só o azul seria a cor mais quente, como o arco-íris inteiro também.

Nos encontraríamos no pátio da faculdade no meio do dia e gargalhando de qualquer coisa dessas que estaríamos falando com outrem, nos sentaríamos lado a lado e aí pronto: nosso jogo sem perdedor estaria formado. Em meio a risos, eu te diria como é engraçado o fato das suas mãos quase sempre estarem sujas de tinta, - fruto dos teus belos desenhos - e você provavelmente ficaria sem graça ou me bateria. Iríamos flertar até sem perceber que flertamos enquanto qualquer pessoa ao nosso redor perceberia, iríamos nos dar o que aos outros não damos, quando perto, viveríamos em nossa bolha particular, iríamos viver o que sempre sonhamos.

Seriamos aquele casal - que ainda continua sem saber que é um casal - que vai ao cinema juntas e passaria o tempo todo depois conversando sobre as cenas, roteiristas, diretores e outros filmes também. Autores e poemas, livros e arte, a nova peça de teatro que saiu no jornal, textos e gramática, são temas que nunca ficariam em falta em nossas conversas e é claro, falaríamos sobre música e dos meus cantores favoritos que às vezes mesmo sem gostar muito, você acaba sempre ouvindo. E em algum momento em uma noite aleatória qualquer, cansadas de desperdiçar flertes e tempo, depois de algumas doses de coragem, acabaríamos na cama consumando o que já era fato: deveríamos ser. Faríamos farra e festa em nosso próprio mundo, seriamos a nossa própria revolução.

Eu penso muito nisso. Quase sempre pensei. Queria muito isso.

Mas chega de utopismo, falemos das vezes em que me pego pensando em quanta coisa há sobre você que não sei, sobre a tua parte agri que tenho curiosidade de conhecer, pois a doce já conheço de cor e tenho dentro de mim guardada a sete chaves para que ninguém me roube, sobre tantas outras coisas, que eu realmente sempre quis saber. Sempre vi o gatinho quase que indefeso que habita em você mas depois de passado o susto em descobrir que em ti também há um tigre faminto, ele eu também queria ver. Me desculpe soar tão confusa.

Que me perdoe a audácia mas as vezes te imagino totalmente nua, entre lençóis brancos como tua pele, deitada me penetrando com teus olhos de jabuticaba como se fosse um mapa, pronta para que rotas inimagináveis e deliciosas nele sejam traçadas. Queria ser eu a traçar. Deve ser bonito. Me perdoe os devaneios, mas é que tu me despertas sempre a poesia, tudo vira poético quando tem você. E quente. E químico. E afetuoso. Raivoso. Amoroso. Eu viro um processo de quase ebulição quando há você no meio. Tantas sensações. Reticências.

E em meio a tantas coisas bonitas, também me pego pensando em quão desagradável me é ver tuas poesias destinadas a outrem, gostava mais quando era eu. Sempre gostei de ser o objeto do teu fascínio mesmo sabendo que sou uma farsa, que sou ninguém, um nada. Eu fico mais interessante ao teu ver, talvez seja um dom seu tornar tudo melhor do que realmente parece ser. Talvez eu não tenha nada de bom e seja apenas mais uma egoísta, pois não me encanta o fato de sermos sempre o "e se" uma da outra. Eu queria ser o objeto da tua atenção, do teu afeto, do teu amor, mas estamos perdendo sempre tempo. Perdendo tempo com achismos e outras pessoas, perdendo tempo tentando tapar com novos buracos nosso eterno vazio - quase sempre cheio de coisas. Queria mesmo era poder nem que por uma única vez, saber como é tapar a minha boca com a sua e saber que gosto isso tem.

Eu te escrevo mais do que você vai ver mas tem coisas que talvez, você deva saber. Acho que essa é uma delas.
Até a próxima vez.

domingo, 4 de junho de 2017

I'll try.

Você pode me ouvir? Estou afogando em meio a multidão e ninguém mais se importa, incluindo eu. Está ouvindo? Ou você está ocupada demais com outras pessoas para prestar atenção em todas as outras coisas? É, você vai mesmo embora, pegou sua mala, levou só o que era necessário e partiu deixando para trás um porta retrato e todas as lembranças, toda e qualquer memória do que um dia juramos que iria nos salvar. Então vou apenas dizer que eu vou tentar, tentar deixar tudo isso para trás e tirar o peso das minhas costas de que um dia eu fui o erro nessa história. todos erramos, o difícil talvez seja não saber se não houveram culpados ou se todos nós fomos culpados de fato, porque danos, ah, isso todos nós levamos. Mas o que importa agora mesmo? Agora que finalmente nos soltamos de um nó invisível que um dia eu jurei existir. Há tanto para ver, tanto para ouvir e perceber, tanta dor para sentir, tanta solidão para deixar ser, tanta escuridão na espera do dia em que haja uma fresta de luz em meio a todo o caos em que nos tornamos. Você é uma legítima enganadora, até de si mesma e eu sou uma prova disso, não sou? Fui apenas mais uma sabotagem sua e você nem percebeu. E eu que dizia que a mim, você nunca enganou, fui a que o maior tombo levei. Mas não sou quem aponta erros e culpas como sempre fizeram comigo. Pois bem, talvez seja a minha hora de finalmente ser como você, ser finalmente o barco e partir para bem longe das suas coisas natais e tentar deixar de ser o velho e sempre abandonado cais.

Então é, eu vou tentar, tentar deixar tudo isso para trás.
E nunca mais olhar para esse caminho.