sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Tell Me How.

Eu me pergunto o que você fez com a flor que eu te dei voltando de uma dessas noites em que a gente compartilhou juntas. Me lembro de estar feliz com você  andando em plena madrugada e que assim que vi a pequena flor, botei um sorriso no rosto e pensei "é dela." Eu lembro de sorrir ao lhe entregá-la e de ver você sorrir mais ainda ao recebe-la mas não me lembro de onde eu a tirei, isso não importa e nem importava porque com aquele pequeno gesto, estávamos mais uma vez sendo cúmplices em uma bolha só nossa e pouco importava nossos amigos ou qualquer outra coisa ao redor. E é aí, nesses momentos, nessas pequenas lembranças é que eu me lembro que você não pode dizer que eu não senti, porque ah, como eu senti. Eu não sou a culpada. Ou pelo menos eu não deveria ser.
Eu me pergunto o que você fez com a lembrança daquele primeiro beijo onde havia uma pureza infinita digna de ser guardada no mais aconchegante dos potinhos porque aqui, ela está guardada num lugar bonito onde ficam as melhores lembranças nostálgicas da minh'alma, daquelas que a gente queria viver tudo de novo.
Eu me pergunto o que você fez com todo aquele ciúme porque aqui ele continua guardado doido pra sair toda vez que te vê dando atenção pra outrem qualquer irrelevante. Sanguinário, cego e destruidor ciúme. Às vezes era meio louco mas eu adorava saber que tu me queria tanto assim, ao ponto de virar uma fera para defender sua preza e ah... Eu sempre fui uma preza muito fácil pra você, mas eu também sabia ser a fera quando se tratava de defender você. Eu sempre me mordi de ciúmes. Talvez você não saiba mas você me teve e ainda tem de uma forma que ninguém nunca antes teve. Pena você nem saber.
Eu me pergunto o que você fez com aquele primeiro texto que falava sobre teus olhos, as janelas da tua alma, janelas que antes sempre pareciam brilhar ao me ver e que agora estão ofuscados com algo que não ouso dizer.
Eu me pergunto o que você fez com as memórias de todas as vezes em que segurei sua mão, muitas delas segurando como se estivesse segurando o meu próprio mundo. Pena eu não saber demonstrar na época, mas é que eu sou assim. Eu sou sentimental mas não sei sair distribuindo abraços e eu te amos espalhados ao vento, eu não falo tanto assim de mim como acham, eu sequer tenho alguma relevância a mais e demonstrar para mim não é tão fácil como aparenta.. Eu sou desconfiada, danificada e difícil de nascença, a culpa também não foi sua.
Eu me pergunto o que você fez com todas as milhares de brigas, com as cicatrizes internas e externas que deixávamos uma na outra e em si mesmas no ápice de nossa loucura e com os beijos avassaladores e cheios de paixão e tesão que dávamos ao fazer as pazes depois.
Eu me pergunto o que você fez com o dia dezoito desse mês, se preferiu esquecer e nem olha mais no calendário contando os dias para que ele chegue. Eu costumava adorar quando você fazia isso. Era a única que se importava.
Eu me pergunto para quem você dá aquela sua risada de porquinha agora, aquela que escancarava tua boca em um enorme sorriso que você insiste em tapar com suas pequenas mãos e deixa pequenas covinha em seu rosto. Eu já nem sei mais se essa última é uma memória válida ou se foi algo que criei para mim mesma mas seja lá o que for, eu costumava achar uma graça.
Eu me pergunto o que você fez com todos os dias e noites em que você costumava pensar em nós e sentia saudade. 
Eu me pergunto qual será a a nova cor que você pintará suas tão adoradas unhas toda semana.
Eu me pergunto se você esconde seus dedinhos do pé para mais alguém quando eles tem mais atenção do que deveriam ter.
Eu me pergunto se eu fosse embora, se você sentiria minha falta, Com certeza eu morreria com a sua.
Eu me pergunto onde está aquela vontade de me ver sempre que dava que você costumava ter. Aqui essa vontade só aumentou.
Eu me pergunto se seus olhos e sorriso ainda brilham quando olham para algo que gostam muito.
Eu me pergunto se está mais feliz agora. Eu pareço que perdi uma parte enorme de mim.
Eu me pergunto se seu coração ainda parece que vai saltar dentro do peito e se suas pernas ficam tão bambas ao ponto de quase virarem gelatinas quando me vê assim como eu fico quando vejo você.
Eu me pergunto se toda vez que diziam aquela combinação horrorosa e engraçada dos nossos nome você se sentia orgulhosa e pensava que a gente combinava como eu pensava.
Eu me pergunto se quando me abraça deseja não sair mais daquele abraço como desejo não sair do seu.
Eu me pergunto o que você fez com a vontade de viver noites selvagens e de amor na cama e em cada canto de qualquer lugar que sua mente pudesse inventar que aposto que você queria e imaginava, assim como eu.
Eu me pergunto se você sente vontade que eu fique toda vez que eu vou embora. O "fica" sempre está na ponta da língua toda vez que você se vai.
Eu me pergunto o que você fez com todo aquele amor que um dia eu jurei que você sentia.
Eu me pergunto onde é que está todo aquele carinho, aconchego e confiança que você comigo compartilhava ou será que era tudo fruto do que um dia você achou sentir? Eu senti tudo isso sozinha e não havia nada disso ou eu estou louca? Era tudo fantasia e dancei sozinha essa dança? Porque hoje tudo o que eu vejo comparado aquilo é frieza e irrelevância.
Eu me pergunto quais serão todas as coisas que você ainda quer cuspir em mim, bem na minha minha porque eu sei que elas estão aí.

Eu me pergunto como me sentir sobre você agora porque com todas essas coisas, eu honestamente juro que não sei...

domingo, 16 de julho de 2017

Um conto sobre uma noite que ainda quero viver.

Vestida de preto da cabeça aos pés com a visão meio embaçada, copo em uma mão, ando por entre as pessoas esbarrando em todos esses corpos, até nossos pares de olhos se encontrarem. Sorrisos sedutores trocados, vontades imensas, uma música que agrada os ouvidos, a mesma vibe, meu caminhar de vilã de cinema até você, oitudobem, conversa ao pé do ouvido, dança sensual. Te empurro para o canto escuro da direita, tento pegar você. O movimento não para e a noite não está tentando ser mais jovem porém nós sim. Você desvia e sai andando, eu me sento e você vai dançar, joga charme, faz de tudo para provocar, eu só observo caindo de quatro nesse jogo. Eu digo: sente-se ao meu lado, encare as coisas de forma natural, hoje pode ser uma noite selvagem você tem a minha atenção, é só pegar a minha mão. Você então a pega. E se senta, mais palavras trocadas até passarmos por entre os corpos suados, não temos regras nem leis, não nos importamos se nunca havíamos nos visto antes, nossos corpos ganham vida e fazem o movimento que querem fazer, logo estão perto demais e mais alguns segundos depois, o gosto da vodka em minha boca finalmente encontra o de chiclete de menta da sua e mesmo em meio a música alta eu juro, eu pude ouvir o som dos fogos de artifício lá fora.

Se separar ainda não é uma opção mas ainda há muito mais para aproveitar, então eu pego a sua mão e saímos do cubículo escuro para dar de cara com o fim de noite lá fora. Pulamos em monumentos, tiramos fotos em estátuas, viramos algumas garrafas de cerveja, acordamos os prédios com nossa gargalhada alta, pois já dizia um velho ditado: não tem graça ser fora da lei sozinho. Trocamos nossos hálitos de novo e é tudo tão bom, você é um fósforo e eu me sinto a gasolina. Eu quero queimar com você. Mas minha caminhonete nos espera, pronta para protagonizar a cena de um filme nem tão clichê. E nós protagonizamos. Nós nos sentimos selvagens, descoladas, infinitas. Você me pede para te levar para qualquer lugar, não quer que essa sensação acabe e nem eu. Então eu te levo para conhecer o meu pequeno apartamento no centro da cidade. O tom do céu está ficando mais claro e lembra do que eu disse sobre queimar mais cedo com você? Bem, hoje é o sol que se sentirá ofuscado pela luz do fogo que vai sair daquele quarto.

domingo, 9 de julho de 2017

por que só eu?

eu vivo entre pecados
de armadilha em armadilha
me desmonto em pedaços
nessa tortuosa trilha
de embaraços

me perco em becos escuros
dentro da minha própria cabeça
e lá se vão meus dias confusos
sendo mantidos em cativeiro
por essa eterna tristeza

não é fácil viver assim,
ninguém enxerga através de mim
e de tanto insistir
eu já parei de tentar,
os mínimos detalhes enxergar

por que só eu deveria olhar,
coisas que ninguém mais vê?

sexta-feira, 23 de junho de 2017

pra moça dos textos, dos desenhos, da salada de fruta e do cabelo que tanto gosto.

Deitada em meu pequeno espaço particular que se encontra no escuro do meu quarto eu penso demais em você. Penso mais do que você um dia vai saber, mas tudo bem.

Penso em como seria minha vida com você e ah, o gosto dessa fantasia me parece tão suculento... Vejamos como iria ser:

Seríamos aquele típico casal - que não sabe se é um casal - revolucionário, cheio dos ideais, parecendo ter saído de um filme francês. E não só o azul seria a cor mais quente, como o arco-íris inteiro também.

Nos encontraríamos no pátio da faculdade no meio do dia e gargalhando de qualquer coisa dessas que estaríamos falando com outrem, nos sentaríamos lado a lado e aí pronto: nosso jogo sem perdedor estaria formado. Em meio a risos, eu te diria como é engraçado o fato das suas mãos quase sempre estarem sujas de tinta, - fruto dos teus belos desenhos - e você provavelmente ficaria sem graça ou me bateria. Iríamos flertar até sem perceber que flertamos enquanto qualquer pessoa ao nosso redor perceberia, iríamos nos dar o que aos outros não damos, quando perto, viveríamos em nossa bolha particular, iríamos viver o que sempre sonhamos.

Seriamos aquele casal - que ainda continua sem saber que é um casal - que vai ao cinema juntas e passaria o tempo todo depois conversando sobre as cenas, roteiristas, diretores e outros filmes também. Autores e poemas, livros e arte, a nova peça de teatro que saiu no jornal, textos e gramática, são temas que nunca ficariam em falta em nossas conversas e é claro, falaríamos sobre música e dos meus cantores favoritos que às vezes mesmo sem gostar muito, você acaba sempre ouvindo. E em algum momento em uma noite aleatória qualquer, cansadas de desperdiçar flertes e tempo, depois de algumas doses de coragem, acabaríamos na cama consumando o que já era fato: deveríamos ser. Faríamos farra e festa em nosso próprio mundo, seriamos a nossa própria revolução.

Eu penso muito nisso. Quase sempre pensei. Queria muito isso.

Mas chega de utopismo, falemos das vezes em que me pego pensando em quanta coisa há sobre você que não sei, sobre a tua parte agri que tenho curiosidade de conhecer, pois a doce já conheço de cor e tenho dentro de mim guardada a sete chaves para que ninguém me roube, sobre tantas outras coisas, que eu realmente sempre quis saber. Sempre vi o gatinho quase que indefeso que habita em você mas depois de passado o susto em descobrir que em ti também há um tigre faminto, ele eu também queria ver. Me desculpe soar tão confusa.

Que me perdoe a audácia mas as vezes te imagino totalmente nua, entre lençóis brancos como tua pele, deitada me penetrando com teus olhos de jabuticaba como se fosse um mapa, pronta para que rotas inimagináveis e deliciosas nele sejam traçadas. Queria ser eu a traçar. Deve ser bonito. Me perdoe os devaneios, mas é que tu me despertas sempre a poesia, tudo vira poético quando tem você. E quente. E químico. E afetuoso. Raivoso. Amoroso. Eu viro um processo de quase ebulição quando há você no meio. Tantas sensações. Reticências.

E em meio a tantas coisas bonitas, também me pego pensando em quão desagradável me é ver tuas poesias destinadas a outrem, gostava mais quando era eu. Sempre gostei de ser o objeto do teu fascínio mesmo sabendo que sou uma farsa, que sou ninguém, um nada. Eu fico mais interessante ao teu ver, talvez seja um dom seu tornar tudo melhor do que realmente parece ser. Talvez eu não tenha nada de bom e seja apenas mais uma egoísta, pois não me encanta o fato de sermos sempre o "e se" uma da outra. Eu queria ser o objeto da tua atenção, do teu afeto, do teu amor, mas estamos perdendo sempre tempo. Perdendo tempo com achismos e outras pessoas, perdendo tempo tentando tapar com novos buracos nosso eterno vazio - quase sempre cheio de coisas. Queria mesmo era poder nem que por uma única vez, saber como é tapar a minha boca com a sua e saber que gosto isso tem.

Eu te escrevo mais do que você vai ver mas tem coisas que talvez, você deva saber. Acho que essa é uma delas.
Até a próxima vez.

domingo, 4 de junho de 2017

I'll try.

Você pode me ouvir? Estou afogando em meio a multidão e ninguém mais se importa, incluindo eu. Está ouvindo? Ou você está ocupada demais com outras pessoas para prestar atenção em todas as outras coisas? É, você vai mesmo embora, pegou sua mala, levou só o que era necessário e partiu deixando para trás um porta retrato e todas as lembranças, toda e qualquer memória do que um dia juramos que iria nos salvar. Então vou apenas dizer que eu vou tentar, tentar deixar tudo isso para trás e tirar o peso das minhas costas de que um dia eu fui o erro nessa história. todos erramos, o difícil talvez seja não saber se não houveram culpados ou se todos nós fomos culpados de fato, porque danos, ah, isso todos nós levamos. Mas o que importa agora mesmo? Agora que finalmente nos soltamos de um nó invisível que um dia eu jurei existir. Há tanto para ver, tanto para ouvir e perceber, tanta dor para sentir, tanta solidão para deixar ser, tanta escuridão na espera do dia em que haja uma fresta de luz em meio a todo o caos em que nos tornamos. Você é uma legítima enganadora, até de si mesma e eu sou uma prova disso, não sou? Fui apenas mais uma sabotagem sua e você nem percebeu. E eu que dizia que a mim, você nunca enganou, fui a que o maior tombo levei. Mas não sou quem aponta erros e culpas como sempre fizeram comigo. Pois bem, talvez seja a minha hora de finalmente ser como você, ser finalmente o barco e partir para bem longe das suas coisas natais e tentar deixar de ser o velho e sempre abandonado cais.

Então é, eu vou tentar, tentar deixar tudo isso para trás.
E nunca mais olhar para esse caminho.

sábado, 27 de maio de 2017

Sobre um pouco do que escorre pelos olhos agora...

Eu odeio não ser a conversa que você mais quer ter, odeio não ser quem você mais quer ver, odeio você não sentir minha falta, odeio que o lugar em que eu esteja não seja o que você quer mais estar, odeio que seu sorriso seja direcionado para outro alguém que não seja eu, odeio quando você não vem, odeio você não ligar, odeio tanto me preocupar, odeio até o vento que te toca (desse tenho até ciúme porque pode fazer isso sempre). Odeio sentir esse aperto estúpido e sufocante aqui dentro de mim que me diz que já não sou alguém tão importante assim, odeio sentir meu peito batendo rápido toda vez que dizem o seu nome ou quando você chega, odeio você pensar que eu fale tanta besteira, odeio pensar que na verdade você não sentiu tanto assim, odeio imaginar você se cansando de mim, odeio ter demorado tanto pra perder o medo, odeio ter demorado pra demonstrar. Odeio demais querer estar contigo a todo momento sem parar de pensar nisso um minuto sequer, odeio quem tem teu carinho, odeio quem pode te fazer sorrir, odeio até o vinho por poder encostar em tua boca sempre que quiser, odeio quem pode te abraçar, odeio que você me deixe de lado por outrem, odeio não ser a sua conversa favorita, odeio querer viver clichês com você, odeio querer até os momentos difíceis para poder te ajudar, odeio me sentir fraca assim por alguém, odeio a saudade que dá quando não te vejo, odeio não segurar tuas mãos ou colar qualquer parte do meu corpo em você, odeio não ser quem povoa teus pensamentos, odeio não ser quem você pensa quando quer sorrir, odeio me sentir assim, odeio quando você demora a me responder e mais ainda quando nem responde, odeio sentir, odeio lágrimas por isso derrubar, odeio agora até a cor dos teus cabelos.
Odeio isso tudo não poder te falar mas apesar de tudo, eu nunca, poderia te odiar.
Mas queria poder.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Um amontoado de quereres.

Queria ser tendência nos teus lábios, no meio das tuas pernas, em cada mínima partícula do teu ser. Queria entrar nos teus poros, povoar tua mente, viver em teus olhos. Queria ser um pouco mais do que sou, queria ser teu tudo. Queria te fazer gritar de prazer e de amor e depois de prazer de novo, queria tuas unhas arranhando minha pele e minha boca mapeando teu corpo, queria teu peito batendo acelerado contra o meu. Queria sorrisos sinceros trocados em segredo. Queria viver em nossa bolha particular na escuridão de algum lugar qualquer mas também gritar em plena luz do dia e pulmões que agora somos nós e não mais eu e você. Queria ser quem você sempre procura quando sente que precisa e quem teus olhos achem ser mais bonita, - mesmo que não seja. Queria ser pra você, muito mais do que já fui e sou. Pena você não querer.

terça-feira, 23 de maio de 2017

i wish burn with you.

Andando pelo bairro frio a noite enquanto fumo o meu cigarro e olho as coisas ao redor, percebo como o lugar ao meu lado está frio e vago, novamente pela qüinquagésima vez nessa última semana imagino como seria minha vida ao seu lado e tudo o que podíamos viver. Agora por exemplo, estaríamos andando pelas ruas completamente agasalhadas e de mãos dadas, ou com qualquer outra parte de nossos corpos colados por eu simplesmente não conseguir me manter longe de você por muito tempo, eu tentaria contar piadas e fazer qualquer graça só para te fazer rir e você iria acabar me chamando de idiota por realmente achar que sou uma, mas for fim, daria o sorriso enorme que aprendi tanto a gostar. Também poderíamos estar jogadas no sofá da sua sala, mesmo que eu morra de medo da sua mãe, eu faria qualquer coisa pra ficar do seu lado, até mesmo subir alguns muitos lances de escada e ficar sem ar depois. Afinal, já estou ficando acostumada, você anda me deixando muito sem ar mesmo. Estaríamos fingindo brigar por alguma implicância minha sobre o que veríamos na tv porém no fim, eu apenas te agarraria e te beijaria para fazer meu estômago e ventre sentirem o que só sentem quando meus lábios encontram os seus. Ah, tem tantos cenários e tantos momentos... Tantas coisas que eu gostaria de passar contigo, tanto tempo perdido.
O gosto amargo do cigarro já habita minha boca totalmente a essa altura da caminhada mas eu gostaria mesmo que fosse o teu. É duro pensar que levei tempo demais pra encarar muita coisa, por isso evito olhar pra trás. Mas se já não terei a única chance que preciso, também já não quero olhar para frente. Estou presa em um presente que não quero viver, cheio de certezas duras e desejos incompreensíveis e irrealizáveis, eu apenas sei que já fazem uns meses que você foi se instalando de maneira diferente, como um vírus que vai chegando aos poucos, devagar e quando você vê, já está completamente embriagada pela doença que ele lhe causa. E você me deixa embriagada. E doente também. Doente dessa coisa trancada a sete chaves aqui no peito que eu nem sequer gosto de pensar no que é, talvez eu seja mais Bukowski do que pensava e realmente tenha um pássaro azul preso em meu peito clamando por liberdade. Mas eu não posso soltá-lo, não mais. Você entende?
Minha cabeça me sabota e me maltrata todo dia, criando formas e situações diferentes de você me odiar e eu não suportaria isso, tem sido um inferno morar na minha cabeça ultimamente, você não faz ideia. Mas quem me trás o caos também me traz paz, sempre trouxe. Acho que nunca te falei né? Você sempre foi meu ponto de paz em momentos de completos furacões, (embora também já tenha sido minha tempestade). Eu sinto tanto, muito mesmo, por todas as coisas que eu não te falei, sei que já te escrevi algumas outras coisas recentemente - algumas delas você nem sonha -  e não sei se você leu alguma das que estão disponíveis ou se algum diria irá ler, na verdade, eu não sei nem se gostaria que você lesse, sou covarde demais para isso, mas é que a vontade danada que eu to de te entregar todos os beijos que eu não te dei, me fez fazer esse, que me parece ser o texto de divagações que mais saiu das profundezas desse Alaska que sou. Talvez ele tenha sido o mais sincero que te escrevi nesses tempos. Sinto sua falta, um pouquinho o tempo todo e me pergunto o que diabos está acontecendo comigo toda vez que faço nota disso.
Eu não sei. Eu quase nunca sei. Ou finjo não saber. Acontece que uma vez me disseram que eu era o Alaska mais quente que já tinham visto, a verdade mesmo era que eu gostaria de queimar com você.

Quem sabe um dia...