segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

(re)encontros do passado.

eu não sei bem como foram as coisas depois do nosso primeiro encontro há mais de dez anos atrás.

não lembro suas manias, nem do seu jeito de pensar.

não me recordo como foi que nos afastamos durante os anos,

não me lembro o jeito como conseguia te ler bem,

mas lembro como foi ouvir sua voz pela primeira vez.

lembro das suas unhas roídas,

das mordidas que deixei,

do teu cabelo loiro e delineado preto,

do malrboro vermelho,

do jeito em que aos tropeços, queria misturar teu hálito alcoólico ao meu,

de como adorava blusas xadrez

e também de ouvir foo fighters.

lembro inclusive, de como queria roubar minha camisa deles também.

não lembro qual foi o dia em que nos conhecemos,

nem como foi nossa última conversa antes de nos afastarmos

e pra ser sincera, nem lembro qual é o gosto do teu beijo

mas não vejo a hora de você me fazer relembrar…

sábado, 23 de novembro de 2024

novembro, primavera - 2024.

eu queria ser vista como alguém importante demais para ser deixada.
eu queria ser inesquecível demais para não ser lembrada.
eu queria que lembrassem do meu cheiro 
e queria que pensassem em mim sem nenhum receio.

queria que viesse um sorriso à tona toda vez que de mim lembrassem
e eu queria que nada disso não importasse.

o problema é que importa.
são pensamentos constantes de quem não se sente amparada, querida ou ser quer vista,
é como se a mim não enxergassem.

e antes de tudo,
antes de ser lembrada,
antes de ser vista
e até mesmo amada,
eu queria era ser vista por mim.
como a mais bela flor do jardim
de minh'alma,
pois antes disso,
como posso eu
ser querida,
beijada,
desejada,
ou se quer mesmo amada?

tenho que amar a mim
pois ninguém me amará
melhor do que eu.

mas não custaria nada,
alguém mais, tentar.


segunda-feira, 13 de maio de 2024

às vezes é difícil não pertencer...

eu sinto que não há lugar no mundo para mim, porque eu me sinto muito sempre fora de órbita. não por mim, mas pelos lugares, pessoas, momentos.
é difícil não se sentir pertencendo a lugar nenhum, parece que sou sempre um compromisso marcado fora de hora, uma nota no rodapé que ninguém quis ler, o copo esquecido em cima do balcão criando mosca, a tampa da caneta que deixaram cair embaixo da mesa e ninguém quis pegar. eu sou sempre o depois. não o aqui, não o agora. nunca uma escolha, uma lembrança, uma vontade de ficar, quem dirá saudade... é difícil querer sempre TANTO e ter tão pouco. é, tem gente que tem menos e sabe mais, e eu, que quase nada sei, pediria perdão a cazuza, pois raspas e restos não me interessam. perpetuo essa verdade em minha solidão.
talvez meu lugar no mundo, seja em um lugar dentro de mim, e talvez, não haja lugar melhor para pertencer...

sábado, 24 de fevereiro de 2024

B.R.D.

me desculpa amor,
por ter chegado tarde,
por em algum momento ter te destroçado,
por não ter saído da minha boca
o "sim" que você queria ouvir,
por perder tempo demais
com alguém que já não me queria.
mas a vida é mesmo assim...
tem gente que marca
nossos corpos, mente, coração, alma
e ela me marcou.
acontece que há marcas maiores,
que vem de outras vidas
e essas amor,
ninguem vai apagar.
nem ela.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

entrelinhas do tempo.

os dias tem se arrastado, e o gosto amargo do cigarro, tem sabor das cinzas de abril de dez anos atrás. faz tanto tempo e de tempos em tempos eu revisitava as memórias, como quem abre a porta da geladeira buscando o que comer - ou o que comprar, - como quem anda pela sala de estar empoeirada da sua velha casa de infância e lembra de quando bateu o dedinho na quina do sofá. mas dessa vez não. dessa vez, num dia ensolarado de fevereiro, em meio a uma risada que nem chegou a se completar, a nostalgia se fez tão forte, tão presente, que eu quase posso sentir você aqui comigo de novo. a presença de quando você era por mim e eu por você. e eu, como quem não sabe dançar, deixo a vitrola tocar os mais lindos discos de amor que eu já ouvi: todos sussurram seu nome. e ele é doce de escutar.

já faz muito tempo amor e até eu, que vira e mexe, de tempos em tempos, perco um dia ou dois pra revisitar as memórias, não entendi o que houve dessa vez. é quase como se eu pudesse sentir meu coração pulsar no exato segundo em que me dei conta que era apaixonada por você. então no segundo seguinte, esse músculo vermelho pulsante em meu peito se encolhe ao relembrar da dor que foi ver você partir. uma montanha russa agridoce de emoções que me trilham um caminho, que me leva diretamente a dez anos atrás.

dez.
dez anos.
dez anos atrás.

e toda vez que eu me lembro, parece que foi ontem.
como posso te sentir tão perto, se nunca esteve tão distante?

domingo, 18 de fevereiro de 2024

sua.

sobre as luzes de setembro

contemplo seu rosto,

manchado pelas marcas do tempo

e pelas impurezas do dia-a-dia


teu sol fez marca em minha alma,

seu mar deu sede em meu ventre,

com cada gota salgada

me fez sua como quem nem sente.


sem esforço me teve,

com esforço me fui

e agora antes de ser minha, 

para sempre serei sua.


terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

P.

no trabalho, eu vi alguém que me lembrou você,
havia alguma semelhança muito forte nela que me remetia a ti,
e agora já fazem dois dias que eu não paro de pensar em você...

não paro de pensar em como foi doce, selvagem e intenso,
esse nosso amor tão puro.
em como você até tentou fugir de mim,
mas como tudo o que sempre quis, foi te agarrar tão forte, não permiti.

nossas mãos se enlaçaram tão bem né? se encaixavam com perfeição...
nossos olhares sempre se conectavam, e seu corpo sempre tremia quando eu chegava perto.

ah meu bem, meu bem, como o nosso tango tão perfeito, virou esse enterro de carnaval?

será que você ainda pensa em mim?
será que ainda sabe, que eu ainda sou o único ser no Universo inteiro que sempre pode te escutar?
será que ainda tem o colar que te dei? será que ainda lembra o que ele significa?
esse lugar ainda é seu, acabei de confirmar.

será que lembra de mim quando ouve Cazuza?
será que pensa em mim quando ouve aquela banda dos macacos?
será que lembra do dia em que a gente se conheceu?
porque eu ainda lembro o exato momento em que te vi pela primeira vez,
e de como foi sentir meu coração quase explodir no peito...

você sabia que foi ali? bem ali que assinei a minha sentença de morte!
porque foi ali que eu soube, como era estar viva e feliz e transbordando de amor.
e depois de você, eu nunca mais fui a mesma,
acho que morri.

ainda lembra de como abria a minha foto quatro vezes, porque adorava a minha cara de sacana?
lembra de como me achava sexy?
de como queria me namorar, mesmo só tendo me visto uma vez na vida?
ainda lembra dos lugares imaculados invadidos com nosso amor tão puro?
e de como você confidenciava que eu não te completava, e sim, transbordava?
lembra de como você tinha medo disso?

lembra que de amor meu grande amor,
minha flor, meu bebê você se transformou?

será que ainda lembra, que eu era a sua Paris, em forma de humano?

porque eu ainda me lembro amor,
e ainda sinto que você poderia ser incrível pra mim...

você foi o meu primeiro amor, quem me transbordou
e mesmo dez anos depois,
ainda sou capaz de pingar de amores por ti.

eu pensei em te ligar
mas você não iria me atender...
nossos mundos se findam,
não se pertencem mais.
mas se eu tivesse um pedido,
um único pedido,
era que você, mesmo que no fundo, ainda pertencesse a mim.

porque acho amor, que uma parte mim,
sempre vai pertencer a ti.
como eu queria te ver de novo...