domingo, 21 de dezembro de 2025

desejo de você.

 penso todo dia no seu gosto, almejo a sensação do meu toque em tua pele como quem almeja tocar a pele divina de afrodite, e eu acho que nem no vocabulário dos deuses, eu seria capaz de encontrar palavras para descrever essa vontade que sinto pulsar no fundo de mim até a borda do meu ser, essa vontade desenfreada, quase insana de sentir seu gosto em meus lábios, o arrepiar de sua pele em minhas mãos, suspirar em alívio pelo encaixe de nossos corpos. me diga que você também sente isso, que através dos quilômetros sente sua pele se arrepiar somente pela menção do meu toque em você, diga que sente o frenesi de me desejar tanto ao ponto de derreter a milhas de distância, porque eu garota, me sinto arder e queimar e virar uma poça de desejo por ti em um afeto quase que inexplicável, eu me sinto derramar, quase virar papel, onde você pode escrever as poesias mais belas, os cálculos mais elaborados, os desejos mais ardentes e tudo mais o que você quiser. eu te desejo, o tempo todo, a todo tempo, até mesmo agora, sentindo o vento fresco no meu rosto, tomando meu frisante e pensando na delícia que seria ter tua pele em meus lábios misturados ao gosto de pêssego. tenho certeza que a fusão virará meu novo sabor preferido. 

eu não sei o dia de amanhã, tão pouco até onde essa intensidade toda vai nos levar mas eu espero, eu torço mesmo, para que seja até teu corpo e dele meu bem, eu não vou querer mais sair. 

esteja preparada, porque quero me cravar em ti, o tanto que você já está cravada em mim. imagina quando nossos lábios e corpos se encontrarem então…

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

a big mistake.

eu queria parar de me sentir como quem nem deveria estar aqui, como um erro na trajetória do destino, como algo que veio quebrado e sem conserto, como quem veio com curto circuito. eu queria não me sentir assim sempre tão péssima quando sei de todas as qualidades que me cercam, então me pergunto o por que de ficar assim sempre tão estática, vendo o mundo girar, as pessoas passarem, a vida acontecer e apenas eu ficar aqui, como uma estátua sempre no mesmo lugar.

o que há de errado comigo? ou será que o mundo está tão fora de lugar que perdi minha gravidade e agora vivo flutuando em uma órbita onde nada acontece, onde não começo nem termino? nah, há de haver algum fio solto aqui dentro, algo que não funciona bem, é a única coisa que vejo que consiga explicar.

quantas noites eu já chorei no escuro do meu quarto por algo que não merecia que minhas lágrimas caíssem, agora choro por mim, que sem ninguém, deveria me acolher e ao invés disso, tanto me maltratei. agora não sei para onde ir, não sei o que fazer e eu já nem com vontade consigo sorrir. então continuo parada aqui, esperando que um raio acerte esse fio desajustado que sou, esse ponto fora de órbita no universo, esperando que um dia, eu possa funcionar direito.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

sobre surpresas nem tão surpresas assim...

sinto queimar minhas entranhas em um gosto amargo de quem pula sem paraquedas de um precipício. é que eu tenho essa mania de acreditar, de ser descente demais, de esperar que tenham a decência que o ser humano deveria ter.
sinto queimar minhas entranhas em um desgosto tão palpável que quase me sinto intragável. ou desço tão fácil pela garganta que nem saboreiam o meu gosto. algo de errado há de ter, em mim ou em vocês e como shakespeare não sou, a certeza de ser ou não ser, não terei a resposta de tal questão. por isso decidi seguir e tentar. e tentar. e tentar.

o problema é que chega uma hora que tentar acreditar cansa.
e eu já estou cansada demais.

que faço eu então agora?
vez em quando, de minha pele só quero ir embora.
talvez eu saia tentando me acostumar mundo afora
em como as coisas são como são.
ou não.

passarei a só seguir, esperando o que há de vir.
surpresas me apavoram e excitam agora.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

beije.

beije a minha boca como quem guarda o segredo do universo nela. beije a minha boca como quem tira todo o teu ar e te faz delirar. em mil loucuras, em ternuras, em todo um vulcão de desejo que entra em erupção quando estamos juntas. beije a minha boca como quem faz amor, sexo, foda por telepatia. beije a minha boca até que todos os pelos, partículas, átomos e moléculas do teu corpo se arrepiem e sussurrem o meu nome as estrelas, pedindo ao universo por um pouco mais de mim. beije a minha boca e sinta minhas mãos tateando o teu corpo, tua pele, em um toque apertado, te clamando como delas, te possuindo, te tomando para mim. beije a minha boca como se não houvesse o amanhã, como se nem quisesse saber mais da sua vida antes de sentir o toque dos meus lábios nos teus. beije a minha boca e prove no gosto dela, o gosto que o prazer tem, que eu te prometo amor, que eu nunca mais paro de te beijar enquanto você quiser.

e espero que você nunca mais pare de querer me beijar. 

domingo, 19 de outubro de 2025

o que toma a minha mente...

fechos olhos e ao pensar em você, me vem a mente a sensação dos meus lábios percorrendo todos os caminhos da tua pele. da textura até o arrepio, do aperto das minhas mãos na tua coxa, até o suspiro sôfrego em que soltará ao me sentir te tocar assim. fechos os olhos e o preto e branco da tua foto me inebria a mente, como o mais poderoso dos perfumes, como um poder em forma de pensamento. e tudo o que eu consigo pensar é em você: nos fios dos cachos se enrolando em minha mão, do gemido que deixará escapar quando os fios eu puxar, na ponta da minha língua subindo pelo teu pescoço quando te trouxer para mais perto de mim, nos nossos corpos se enroscando um no outro, na forma como sei que dirá o meu nome, na tua voz em meu ouvido que sou completamente derretida e obcecada. fecho os olhos e mordo os lábios sorrindo em deleite porque é o que você me traz. por ser a delícia que és já que tudo em você me é delicioso. às vezes tenho que me beliscar uma ou duas vezes para ter certeza de que você é real e mesmo quando vivenciar cada um desses acontecimentos, realizar cada uma de nossas fantasias e ter enfim você em minha boca, desvendando todo o teu corpo, acho que não serei capaz de acreditar que não és fruto de minha mente. espero sensação assim, em ti também causar.
quero que em um momento, logo depois de me beijar ou me sentir em sua pele, feche os olhos e pense que não posso ser real, que o que te cusarei não pode ser real porque mulher, espero tirar teu sono, te revirar do avesso, tua cabeça enlouquecer, fazê-la girar e girar e girar, te desnortear com todo o meu desejo por ti. quero que meu corpo crie um idioma só dele e que só você seja capaz de decifrar porque baby, eu quero decifrar tudo o que cada curva desse teu corpo me tem a dizer. e eu espero que ele me diga muito, por dias e horas e que ele nunca se cale porque se depender de mim, sua voz ainda gritará meu nome para a vizinhança inteira ouvir, o quanto quero te fazer minha.

verdades que enfim contei a mim...

a verdade nua e crua, aquela em que nunca quis admitir para ninguém, nem para mim mesma, mas que talvez esteja mais do que estampada em minha face, é que eu sou alguém muito só. e eu sempre fui.
eu nunca tive muito com quem brincar na infância ou quem me levasse ao parque aos domingos, muito menos quem me ajudasse enfeitar as luzes de natal a noite. acho que nunca fiz o coração de ninguém bater mais forte, pelo menos não por tempo o suficiente para que fizesse alguém ficar, nem sou a primeira que alguém pensa quando quer colocar a cabeça no ombro de alguém e despejar seus anjos e demônios. e eu não sei muito bem o por quê. eu sempre dei tudo de mim para ter essas coisas em que tanto a gente vê na tv mas que sempre me pareceram inalcançaveis demais para mim até que elas se provassem realmente inalcançáveis. talvez haja algo de errado, algo quebrado em mim. ou talvez, eu apenas tenha escapado de algum livro de conto de fadas e a vida real não dê muito certo para mim assim. seja qual for a razão, ano após ano, tenho entendido que não fui feita para funcionar como os demais, desde pequena, então cada vez mais, o que me resta é tentar me acostumar que a única companhia que sempre irei ter sou eu mesma. nos natais, aniversários e quando os dias pesam, como hoje. e no fim, talvez não haja mesmo companhia melhor do que essa.
mas se eu pudesse escolher, gostaria de ter quantas companhias meu abraço conseguisse ter.
talvez eu escreva um conto de fadas em que isso finalmente aconteça e assim, em alguma realidade alternativa, em algum lugar do universo, eu não fique assim sempre tão só.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

o erro que sou.

eu tive muito medo quando deveria me jogar

eu fiquei parada quando deveria correr

eu acreditei muito quando deveria duvidar

eu esperei muito quando o certo era não esperar nada

eu quis muito vencer e tudo o que eu fiz foi perder

eu fui muito empática e sempre sou prejudicada

eu confiei muito quando o certo era somente seguir e não ligar

pois há muito já não há quem ligue para mim

e eu termino sempre só

catando os pedaços 

que são sempre despedaçados de mim

tentando um dia quem sabe,

juntar o leite derramado,

e ser quem eu sempre deveria ser.

até lá, sigo em curto circuito 

fruto desse fio não ajustado em meu ser

pois há de ter algum erro aqui dentro

para eu ser tão assim

e quebrar sempre a cara

seja pelos outros

ou por mim.


hoje, foi pelos dois.

amanhã, quem sabe?

terça-feira, 8 de abril de 2025

precioso precipício.

você tem povoado meus pensamentos o dia inteiro, como alguém tão distante não deveria fazer e antes que como algumas outras você se confunda, não, não é amor. é uma parada bem mais legal. é ser e deixar ser, conversar, beber, se abrir para o mundo uma da outra. é química, física e línguas. quero falar todas elas com você sobre a minha pele, sentindo meus poros sobre os seus. 

tenho pensado em você a noite inteira e eu sempre perco o fôlego, porque você tem me tirado o ar. sua inteligência, profissão, forma de se expressar, tudo me causa fascínio. és uma fonte de conhecimento e eu quero me afogar em ti, pois já não é segredo que não sei nadar. e nem quero. quero mergulhar em tua mente, descobrir o que te estimula cada vez mais, tenho ânsia em ser fonte de todo esse mel que você deseja e quero que você se afogue nele também. quero te causar arrepios, te deixar com o fôlego faltando, assim como você me faz. 

talvez seja necessário que estejamos em locais diferentes mesmo ou entraríamos em erupção, pois não há capacidade em um mesmo recinto para tanto fogo assim. e você me faz querer queimar como nunca. consigo me ver te conhecendo e vendo lados meus que não mostrei a ninguém, consigo me ver aprendendo, te absorvendo e te sentindo. talvez você seja um precioso precipício mascarado por uma nuvem de paraíso e tão deliciosa que és, me faz querer pular nele. 

e eu nem sei se quero paraquedas.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

às vezes..

às vezes evito escrever

porque escrever é sinônimo de sentir

e às vezes eu sinto tanto 

que transbordo em mim.

às vezes eu quero tanto,

que faço de tudo pra não desistir.

às vezes ouço uma música,

às vezes tomo algumas doses de gim

qualquer coisa que nisso logo ponha fim.

às vezes tenho que lembrar que tenho que esquecer 

às vezes esqueço de tudo o que quero ser

às vezes é melhor nem chegar se tiver que ir embora,

talvez eu devesse correr mundo afora.

quem sabe é melhor parar de acreditar

talvez fique mais fácil se eu parar de sentir

às vezes sentimentos são sinônimos de se ferir.

quinta-feira, 27 de março de 2025

infeliz despedida e a glimpse of us.

você pediu para eu não escrever sobre você nesse site velho, pra não te transformar em matéria no jornal do meu dia-a-dia. talvez no fundo eu saiba o motivo, talvez eu nem faça ideia do porquê, mas é que tem tanta coisa que eu gostaria de gravar e falar sobre você…

talvez eu devesse começar falando que sou obcecada pela sua voz, é a coisa que eu mais vou sentir falta. gostava também da forma como vez em quando você me olhava, como se quisesse me desafiar a dizer todas as coisas sobre você que estavam passando na minha mente. e se você perguntasse, diria que gostava de como minhas mãos se encaixavam bem nas suas, gostava do jeito sem papas na língua em que você me jogava uma cantada sacana bem pá-pum, mesmo que eu fingisse ficar mais sem jeito do que realmente estava, só para ver como você iria agir, é que eu ficava encantada com sua forma de ser e preferia apenas ver você agir assim do que agir de volta também. talvez eu devesse ter agido…

eu diria também que gostava muito do seu jeito de pensar, de encarar a vida e os sentimentos e em como eu gostaria de ser mais como você. foi isso  inclusive, que mais me chamou atenção em ti. eu te admiro pra caramba, não sei se você sabe, mas espero que sim. eu adorei conhecer tudo o que você se deixou me mostrar, vou lembrar até do que você nem imagina, espero que você se lembre um pouquinho de mim também, com doçura. e espero que eu tenha conseguido aprender contigo tudo o que se possa conseguir nesse pouco tempo de convívio, duas semanas é pouco demais. eu também diria em como eu amei aquele dia na sua casa, cada detalhe. amei sua cara de chapada, a bandeira no seu corredor, o seu quarto que perfeitamente poderia ser o meu, o seu livro de feitiço, o seu desenho preferido, suas pedras na janela, o espelho em forma de sol. amei sua sala aconchegante, a sua cama gostosa de deitar, eu acho que fiquei tão bem lá… mas o que mais gostei foi ter dormido com você nos meus braços, acho que já te disse que você é boa de abraçar, né? só sinto por ter respeitado demais o que foi a primeira e última chance de ver seu mundo e você mais de perto. eu acho que vez em quando, eu não sei demonstrar tão bem. queria ter passado aquela noite toda te beijando, até pensei em te acordar para isso, mas você estava cansada e a gente sempre acha que haverá uma próxima vez, não é mesmo? infelizmente não houve. e agora, dias depois, eu fiquei apenas com a glimpse of us

mas se houvesse uma próxima vez, eu te beijaria sem pensar duas vezes, do primeiro “oi” até o último “preciso ir”. se eu tivesse mais um vislumbre da gente, te beijaria o tempo todo, só para antes de você ir embora pra sempre, deixar gravado em mim o teu gosto.


quarta-feira, 26 de março de 2025

bad day. bad century.

não quero comer, não quero falar, só quero uma garrafa de cerveja gelada e o silêncio para contemplar. quero me fechar em meu casulo, que as pessoas esqueçam meu nome, sobrenome e endereço. deletem meu número de celular, não sou tão difícil assim de esquecer… me deixem esquecida num canto qualquer, quero apenas o escuro da sala, tocando música triste de bar. quero ser esquecida para ver se assim paro também de lembrar. de momentos, de pessoas, de prazeres, de vontades, de desejos, de anseios, de fracassos e devaneios. quero fechar a biblioteca da memória e nunca mais pegar nenhum livro de lá. se eu tivesse um pedido, um único pedido a realizar, seria que meu mundo se reduzisse a músicas, artes, livros e cervejas, que mais preciso eu para viver? não hei de morrer de amor e nem viver dele também, me isolem de vez, assim nenhuma nova dor de cabeça vem.

rotina.

despertador

pé depois de pé 

banho

escova de dentes


roupa atrás de roupa 

café da manhã 

arruma o cabelo

sai de casa


trabalho

trabalha

almoça

vai embora


casa.

surta

chora

grita


escreve

respira fundo

vezenquando dança

perde a esperança 


a paciência também.

dorme.

acorda.

e começa de novo.


looping. 

segunda-feira, 24 de março de 2025

jogando ao vento.

e o que mais eu posso fazer?

o que mais eu posso falar? 

além de tudo bem, vai lá… 


mas não, não está tudo bem.

nem aí, nem aqui

mas por motivos distintos


queria ter tido mais tempo,

queria ter tido mais toque e conhecimento

antes que tudo se fosse com o vento


mas a vida é mesmo assim

dá voltas e mais voltas,

só resta torcer pra gente se encontrar de novo em uma delas por aí…

quarta-feira, 19 de março de 2025

um conto pra virar realidade.

ouvir: monsure - outta my mind. 


coloca uma música na vitrola da sala, tira os sapatos, meias sobre o tapete. abre uma taça de vinho, aproveita e abre os dois botões da sua camisa listrada também, você quer se sentir confortável. você me chamou para sua casa, para conhecer seu mundo particular e resolveu me apresentar aquele seu eu que quase ninguém vê, aquele seu eu relaxado, que há muito tempo deixou de ser. hoje você é.

estou sentada no sofá enquanto te observo e você me diz para sentir a música, fecha os olhos, levanta a cabeça e sorri enquanto dança consigo mesma levantando sua taça sobre aquela meia luz amarela. e é tão bonito te ver assim.

você me segura pela mão e me puxa para você em um convite mudo para que eu adentre sua loucura, seu momento de lazer. não sei porque escolheu se mostrar tanto assim, logo para mim, mas eu aceitei.

estamos rodopiando pela sala enquanto a música não para. já estamos altas daquele vinho e o mundo parece explodir em um caleidoscópio colorido. 

não temos mais horas, não temos mais espaço nem tempo, temos apenas eu e você, dançando sozinhas e uma com a outra, celebrando em um brinde mudo o quão bom é estar aqui. que bom que você me chamou, que bom que eu vim e quis ficar. não quero que a música na vitrola pare de tocar, nem que paremos de dançar, que continuemos rodopiando pela sua sala até cairmos no sofá, derramando um pouco de vinho tinto mas com a boca a centímetros de se tocar, nem ligamos. meus olhos nos seus, descem até seus lábios, o vinho escorre para o chão e eu provo dele em sua boca. 

o mundo gira a nossa volta e tudo é intenso e lento naquela sala enquanto nós nos descobrimos, quero te paralisar em mim, antes que você se mova.


se estava difícil te tirar da minha mente, imagina agora que sei o gosto que você tem… acho que quero me viciar.

terça-feira, 18 de março de 2025

reinventar.

não. eu não quero mais esse misto de sentimentos e sensações acabando comigo. não! eu não quero criar teorias, conspirações, dar asas a paranóias e minhas próprias ilusões, quero saber que eu sou eu e que sou incrível. não quero mais duvidar de mim, me dizer que não sou capaz ou boa o suficiente. porque eu sou. a vida é bonita demais e eu não quero mais perder tempo. quero segurar a mão de quem queira segurar a minha, quero voar em mil e um pedaços de mim por aí, me reinventando, agarrando a chance de ser um eu diferente em cada lugar. quero sorrir para vida enquanto ela me sorri de volta, quero esvaziar o baú das memórias. quero lembrar apenas do que me foi bom e quero enche-lo de novo com isso. quero gritar ao vento que sou incrível e quero que as pessoas certas enxerguem isso. não quero me oprimir para caber, não quero estar tão presente para me fazer invisível. quero apenas a dose certa para ser e deixar ser. 


espero que em algum momento alguém queira ser comigo também.

segunda-feira, 17 de março de 2025

versinho da frustração.

esse caos que bate do nada em meu peito

como chuva de verão que vem sem avisar

e inunda tudo,
como quem o mundo vai destroçar 


não quero ver, não quero falar

não quero pensar, não quero sentir

quero duas doses de gim,

um brigadeiro e um cafuné para acalmar


está chovendo lá fora 
e tudo o que eu quero fazer é fugir

talvez eu nem tenha percebido 

porque a chuva começou é dentro mim. 

segunda-feira, 10 de março de 2025

inspirações de uma nova madrugada.

como uma brisa de um dia fresco de verão
você me apareceu.
de reprente e revigorante, trazendo um novo ar
pra me lembrar como é viver,
com outro ser humano

uma noite, uma madrugada, uma conversa
quatro horas da manhã e você me quer ao seu lado
calma meu novo flerte, desacelera meu quem sabe amor
tenho que conhecer teu terreno
pra evitar novos hematomas e dor

você diz que não cai em golpes
enquanto eu fui golpeada demais
todo cuidado é pouco para quem sente demais
mas contraditória, com lua em peixes que sou,
cá estou eu escrevendo sobre algo que nem sei aonde parar eu vou

quem sabe nos teus sonhos, na nova banda que você descobriu?
no bar do centro que você vai, em uma folga num dia par?
ainda não descobri esse meu novo eu
nem as torturas e delícias  de ser quem ele é
mas em meio a tantos golpes, escolhe cair quem quer

descobri que talvez,
seu precipício seja um bom lugar para parar.


domingo, 16 de fevereiro de 2025

desconforto momentâneo.

há um grito mudo,

entalado em meu peito,

clamando para sair


há um pedido de socorro

um choro demorado 

escapado em um sôfrego 


há um desconforto,

um desgosto, 

um incômodo,


na pele que habito

e habitar em mim, tem me tirado a paz

não aguento mais sentir tudo o que sinto


há um pedido de socorro

sussurrado ao vento 

clamando acalento 


mas entalados em meu peito 

não há quem possa ouvir 

essa desordem desse caos que há em mim


quem dera eu pudera

ser tão normal e banal 

e fingir que vivo em festa


um dia eu aprendo

a ser robótica como eles

e se não aprender, 

eu invento, não há quem impeça 


sou uma invenção 

de mim mesma

que nem eu entendo

talvez um dia, 

eu mesma me convença.